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06 abril 2009

Paulo Moura - Confusão Urbana, Suburbana e Rural (1976)

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Paulo MouraPaulo Moura, 42 anos, 23 como músico profissional, é um exemplo representativo da situação do instrumentista no Brasil. Considerado, por gregos e troianos, como um dos melhores músicos brasileiros e, até hoje, um nome praticamente desconhecido fora dos círculos iniciados em música instrumental. Para sobreviver, Paulo desdobra-se entre atuações em diferentes orquestras, sessões de gravações, aulas particulares e também no Instituto Villa-Lobos, além de clarinetista na Orquestra do Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Há 3 anos, no único Festival Internacional de Música realizado em Curitiba onde houve abertura para a música não erudita, Paulo Moura esteve na cidade, a convite de seu amigo Egberto Gismonti, participando de algumas aulas dando oportunidade aos jovens alunos de ouvir um dos maiores instrumentistas do Brasil.

Embora tendo trabalhado muitos anos em conjuntos de gafieira, Paulo sempre foi um músico de formação jazzística, tendo criado há algum tempo, uma "big band". Afora as dezenas de elepes em que participou como instrumentista, já teve chance de fazer 8 elepes, três dos quais, do mais alto gabarito, na Equipe.

Agora, finalmente, Paulo Moura está vendo o seu trabalho ter uma repercussão maior, ao gravar um dos melhores elepes do ano: "Confusão Urbana, Suburbana e Rural" (RCA Victor, 103.168, junho/76).

De princípio é bom que se diga de que se trata de um dos mais brasileiros discos feitos este ano (e também nos últimos). Apesar de toda sua formação (válida) jazzística, Paulo Moura soube fazer uma feliz união de cuíca e saxofone, pandeiro e flautas, tamborim e trompas, executando sambas, maxixes, carimbós, choros e baiões.

"Confusão Urbana, Suburbana e Rural" é o exemplo do disco bem produzido e, neste caso, uma revelação de Martinho da Vila, sambista e cantor de obra desigual que, mostrando amizade e respeito pelo talento de Paulo Moura, conseguiu lhe dar condições de fazer um elepe igualmente admirável em todas as faixas. Não há, ao longo dos 12 temas gravados um único momento que não seja perfeito, mostrando a habilidade de Paulo Moura em diversos tipos de instrumentos - sax soprano, clarinete e alto.

Mas o disco não é apenas um elepe para destacar Paulo Moura. Houve uma democrática possibilidade de excelentes instrumentistas mostrarem suas habilidades, oportunidade que não acontece todas as horas. Mesmo instrumentistas de boa formação, mas comprometidos com modismos e pretensas vanguardas - como Toninho Horta (violão) e Wagner Tiso (órgão e piano), souberam sentir o espírito de brasilidade presente em todas as faixas e desenvolver um trabalho verde-amarelo, sem formalismo - em que a improvisação e a espontaneidade não eliminam entretanto a inteligência, o bom gosto e sobretudo a beleza das imagens sonoras. Nos violões, temos, por exemplo, além do já citado Toninho Horta, também Valdir e a notável Rosinha de Valença; nos cavaquinhos, Mané do Cavaco e Neco; Alexandre Papão e Paulo Batera, Jamil no baixo, Julinho no acordeão. Mas, sem dúvida, são os metais e percussão que ocupam os grandes momentos. Por exemplo, em "Notícia" (Nelson Cavaquinho - Alcides Caminha - Norival Bahia), há uma verdadeira demonstração de virtuosismo de Zeca da Cuíca, cujo som único integra-se aos outros instrumentos - num trabalho perfeito. Na percussão tivemos, Serginho, Raphael, Zeca da Cuíca, Doutor, Eliseu, Marçal, Luna e Paulinho. E nos metais, está um verdadeiro "Butantã" de cobras: Marcio Montarroio, Nivaldo, Maurilio, Joãosinho, Raulzinho, Cacau, Mauro Amoroso, Paulo Bombardino, Altamiro Carrilho, Lloyd Minelli, Toninho, Pirulito, Ré Menor e Ary. Há também violinos (grupos de José Alves) e um vocal formado por Miucha (Heloisa Buarque de Holanda), Isaura Tiso e Gilda Horta.

Acredito, sinceramente que em termos instrumentistas, "Confusão Urbana, Suburbana e Rural" não é só dos melhores discos deste ano mas um elepe clássico, destinado a se tornar como uma obra disputada no futuro. Ainda bem que o brasileiro está tomando conhecimento disto e 10 mil cópias já foram vendidas.

Aramis Millarch - 04/07/1976 - publicado no jornal Estado do Paraná - extraído do site Tablóide Digital
Para mais informação, visite o site do Paulo Moura

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Paulo MouraA legend of instrumental music for half a century, clarinet and saxophone virtuoso Paulo Moura is the first Brazilian instrumentalist to be honored with the Latin Grammy (2000) for his CD "Paulo Moura e Os Oito Batutas", which popularized internationally the century-old Brazilian instrumental style called "choro". To categorize or "label" Paulo Moura is next to impossible. His name is spoken with reverence in musical circles ranging from jazz to classical, and known throughout the world. His sound - whether on saxophone or clarinet is unmistakable. His unique sense of improvisation, his interpretations and phrasings, have made him the model that a generation of Brazilian instrumentalists have looked up to. And while he is passionately dedicated to the preservation of the various traditions of Brazilian music, he is arguably Brazil's greatest living interpreter of mainstream improvisational jazz. The youngest of ten siblings, born in the mid-1930s to a working class Afro-Brazilian family in a small city in Brasil, Paulo Moura began playing as a child in his father's band and by age 19 appeared as soloist with the Brazilian Symphony Orchestra, playing Weber's Concertino for Clarinet and Orchestra. However his devotion to classical music was accompanied from the very beginning by a profound passion for and understanding of the popular tradition of his country. While he was learning harmony, counterpoint and fugue in private classes, he would play pop music at the neighborhood gafieira (dance hall). Out of this mixture emerged a style that shows a complexity of elements: his Afro-Brazilian origins, the pop music of the poorer classes of Rio, his experience during the golden age of Radio Nacional and his "higher education" as a first clarinetist of the Municipal Theater's Orchestra.

His international career as a soloist started in 1953 in Mexico playing with Ari Barroso, the famous Brazilian composer. And since his acclaimed performance at Carnegie Hall in 1962, he has been frequently invited to play in the US, Great Britain, Japan, Africa, Germany, Switzerland, Holland, Greece, Argentina, and France. His recordings have been released in the US, France, and Japan, and he has appearances in music festivals in the US, France, Switzerland (Montreux), Rio de Janeiro (Free Jazz), and Germany. He has taught as a visiting professor, along with Karl Berger, at the Creative Music Studio in Woodstock and at the Zurich Festival where he held a Brazilian music workshop. He continues to be a highly influential force in Brazilian popular music, teaching music theory and arranging recordings by Elis Regina and Milton Nascimento. His 1976 solo album Confusão Urbana, Suburbana e Rural, is considered a masterful tour through landscapes of modern and traditional Brazilian music. His career as a composer and conductor also include several symphonic pieces. Major public presentations include the 1988 commemoration of the Centennial of Abolition of Slavery in Brasil, featuring the National Symphonic Orchestra, and in 1992 the inaugural piece for the world conference ECO92 that included a choir of 120 public school children.

Because of his artistic prominence Mr. Moura has held important and prestigious public positions: Director of the Museum of Image and Sound in Rio de Janeiro (1997-99), and member of the Municipal Council for the arts (1997-99). In 2000, Moura composed and performed the Urban Fantasy for Alto sax and Orchestra for the centennial of the Oswaldo Cruz Foundation. He was featured in the film "Villa-Lobos: A Passion" for which he also arranged and performed the opening soundtrack, and he performed in a 19-concert tour in Japan with the singer Joyce. His discography includes over 25 recordings.

Extracted from Gafieira Dance Brasil

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Even though instrumental choro has been jazz-influenced for decades, reedsman Moura really falls somewhere between choro and jazz-samba. The jazz elements are very strong, the local ingredients more varied and more Afro-Brazilian than usual, and he is fond of a big-band sound and a somewhat staid avant-gardism, both of which are foreign to the mainstream idiom. But the spirit and the underlying sound are choro rather than anything else, even if they do stretch the boundaries. And Moura is a fine player with a fine group.

John Storm Roberts - Original Music - extracted from All Music Guide
For more info, visit Paulo Moura's site

19 março 2009

Copinha - Jubileu de Ouro (1975)

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CopinhaCopinha era filho de italianos e tinha oito irmãos, todos eles músicos. Seu primeiro professor de flauta foi Vicente, irmão mais velho. E, nas serenatas e rodas de choro de São Paulo, iniciou-se no jeito de tocar em grupo, solar e acompanhar.

"Eu comecei a estudar com 7 anos de idade, em 1917. Mas estudava direito, estudava música primeiro. Hoje a gurizada pega um instrumento e vai tocar de ouvido. Estudei música, solfejo, depois mais tarde harmonias, essa coisa toda. Com 9 anos é que eu peguei a flauta. Com nove anos eu já fazia serenata com o Canhoto [Américo Jacomino]. Toquei muitas vezes. Ele gostava e dizia: 'Esse garoto é bom'."

Antes dos 20 anos de idade, dominava também o clarinete e o saxofone, que aprendera no Conservatório Dramático e Musical de São Paulo. Embora Copinha tocasse também clarinete e saxofone, o seu instrumento de preferência, e o que mais utilizou durante toda a carreira, foi a flauta. O que caracteriza Copinha, além da evidente qualidade técnica e musical, é a capacidade de se adaptar a uma enorme variedade de estilos.

Não existe uma "flauta" de Copinha, que se imponha de maneira uniforme independentemente do que e com quem esteja tocando; porém tampouco falta personalidade à sua execução, pois alguns traços estão presentes em todas as suas intervenções: a limpeza do som, o estilo chorado, a economia de notas e, acima de tudo, a interação com os outros instrumentos ou com a voz – a flauta de Copinha está sempre integrada ao conjunto sonoro, e mesmo quando sola não ignora o acompanhamento.

Não existe melhor maneira de perceber tudo isso do que ouvir sua atuação com João Gilberto e, depois, com Paulinho da Viola. Escutar os discos "Chega de Saudade" e, em seguida, "Nervos de Aço".

Apesar de sua discrição e de seu papel de acompanhante, Copinha era respeitado pelos grandes músicos. A ponto de Hermeto Pascoal, um músico em tudo e por tudo diferente, cuja flauta soa no mais das vezes nervosa, "suja", agressiva, ter homenageado o colega com a composição "Salve, Copinha" (gravada no disco "Brasil Universo").

Copinha tem menos de 20 composições gravadas, a maioria nos seus próprios discos. São quase todas obras tradicionais, românticas, típicas das serestas. O compositor Copinha viveu no segundo plano em relação ao músico, pelo menos no que se refere às gravações.

A originalidade de arranjador de Copinha não deve ser procurada nos discos orquestrais e sim, principalmente, em três discos de Paulinho da Viola para os quais escreveu os arranjos: "Nervos de Aço", "Memórias Cantando" e "Memórias Chorando" – dois discos de canções e um disco instrumental.

Sem prejudicar em nada o balanço e o sincopado dos sambas e choros que Paulinho escreveu ou interpreta, Copinha cria um ambiente camerístico no qual cada músico tem seu papel mas, também, a sua liberdade. Há um jogo de som e silêncio, tanto de cada instrumento isolado quanto do grupo como um todo. Instrumentos que se emparelham de maneira imprevista e original. E divisões surpreendentes – como nos contracantos de "Comprimido".

"Interessante a maneira com a qual Copinha combina os instrumentos aqui: bateria (vassourinha), baixo, violão sete cordas [Raphael Rabello] e flauta. Copinha, neste arranjo, mostra como era a vanguarda no choro. Como Paulo Moura, tem uma visão bem livre dos arranjos, com poucas sinalizações, mas fundamentais". (Hélio Amaral)

O disco a que se faz referência aqui é "Bonfiglio de Oliveira Interpretado por Copinha e seu Conjunto". Ao rever a música de um antigo compositor de choro, mais uma vez Copinha preserva o essencial da tradição mas não despreza a modernidade, como na junção do contrabaixo com o violão de sete cordas.

Copinha teve duas carreiras distintas: a das orquestras e grandes conjuntos, e a de instrumentista em pequenos grupos, ou acompanhando grupos e cantores. Ambas foram longas, intensas, e produziram resultados muito distintos. Começou a carreira profissional em 1934, como flautista, fazendo fundo para filmes mudos em cinemas de São Paulo e tocando em programas de rádio, quando teve a oportunidade de se apresentar com os violonistas Garoto e Armandinho.

Mas logo deu início à criação de orquestras, principiando pela Orquestra Irmãos Cópia, sob a liderança do irmão mais velho, Vicente; depois,"Juca e seus rapazes"; e, mais adiante, a orquestra do Maestro Gaó (Orquestra Colúmbia), em apresentações nas rádios paulistas.

Com Gaó, ainda na década de 1930, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde tocou em boates, cabarés (com Pixinguinha, no Dancing Eldorado), teatros e cassinos; com a orquestra de Simon Boutman, no Cassino do Copacabana Palace; Carlos Machado, no Cassino da Urca; e Paul Morris, no Quitandinha, em Petrópolis.

Com vocação de andarilho, desde a década de 1930 empreendeu um ciclo de viagens internacionais que se estendeu até o final da vida, sozinho, em grupos, como músico de orquestras ou maestro.

Corria a década de 1940, e Copinha criou a primeira orquestra sob sua liderança, chamada inicialmente de Cópia e sua Orquestra. Com ela, ao longo de quase 20 anos, tornou-se um dos principais acompanhantes de cantores como Sílvio Caldas, Francisco Alves, Mário Reis, Carmen Miranda, Cyro Monteiro, Dircinha Batista, Aracy de Almeida, Orlando Silva e Dorival Caymmi.

Em 1958, recebeu em sua orquestra um músico nordestino que viria a fazer história na música brasileira: Hermeto Pascoal mudou-se de São Paulo para o Rio de Janeiro a fim de tocar acordeom na Orquestra do Maestro Copinha, que então se apresentava no Hotel Excelsior. E, no mesmo ano, juntou-se à orquestra o pianista acreano João Donato, durante uma temporada no Hotel Copacabana Palace.

A partir da década de 1960, tornou-se um dos mais requisitados músicos de estúdio e de shows do Brasil. O espaço das orquestras rareava pela soma das novas tendências da música com o alto custo necessário para mantê-las. E Copinha afastou-se aos poucos, primeiro desmobilizando sua própria orquestra para trabalhar nas orquestras da TV Tupi e, depois, da Rede Globo e, por fim, praticamente abandonando os grupos orquestrais.

São raros os cantores e compositores de primeira linha da música brasileira, a partir da década de 1960, que não tenham contado com Copinha e seus instrumentos de sopro – particularmente a flauta. Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Milton Nascimento, Cartola e Ivan Lins são apenas alguns deles.

É de Copinha a flauta que se ouve na famosíssima introdução de "Chega de Saudade", que abre o primeiro LP homônimo de João Gilberto, com arranjos de Tom Jobim. Assim como é de Copinha a flauta que acompanha João em outras faixas do mesmo LP.

Copinha toca flauta em "Canção do Amor Demais", de Elizete Cardoso, considerado um dos marcos iniciais da bossa nova. São dele os sopros em grande parte dos discos de carreira de Paulinho da Viola.


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CopinhaAn active sideman for recording sessions, Copinha accompanied the stars Carmen Miranda, Francisco Alves, Mário Reis, Carlos Galhardo, Orlando Silva, Sílvio Caldas, Nuno Roland, Rui Rei, and many others in the Golden Age of song (between the '30s and '40s). During the bossa nova years (late '50s to early '60s), he accompanied Elizeth Cardoso, João Gilberto (since his first album), and other icons of the movement. He recorded Pierre Barouh's score for the famous film Un Homme et une Femme, together with Baden Powell, Milton Banana, and the Castro-Neves brothers: Oscar and Iko. From the '70s to the '80s, he was a sideman for Caetano Veloso, Chico Buarque, Paulinho da Viola, Roberto Carlos, Gilberto Gil, and others. He also had international success with his solo work, which was ahead of his own orchestra.

Born the seventh son of Italian immigrants, he began his musical studies at age nine with his older brother, Vicente Cópia (all his brothers were musicians). Taking up the flute, he became a professional in 1924, accompanying silent movies until the advent of sound in 1930. In 1928, he took up the clarinet and the saxophone and played around a lot. In 1930, he performed several times for Rádio Paulista, accompanied by Garoto. His first album was recorded in that year, together with Garoto, Aimoré, Armandinho (all violonistas [acoustic guitar players]), and singer Moreira da Silva.

CopinhaWith his brothers and nephews, he organized the Orquestra Irmãos Cópia (who played regularly until 1934), where crooners like Rui Rei, Nuno Roland, and Grande Otelo performed. Completing an engineering degree at a university, he worked for some time in that profession, but never abandoned his busy schedule as a musician. In 1931, he joined the quartet of Spartaco Rossi on their tour of Germany. In 1932, he accompanied famous singers Mário Reis and Francisco Alves. In 1933, he performed at Rádio Cruzeiro do Sul with Maestro Gaó's Orquestra Columbia, joining them regularly between 1937 and 1939.

Expanding his activities to Rio de Janeiro in 1936, he was hired by Rádio Ipanema and played with Pixinguinha at the Eldorado gafieira. He was an active sideman during the '30s and '40s. From 1939 to 1943 he joined the orchestra of Simon Bountman, and from 1944 to 1946 he performed with the orchestra of Carlos Machado at the Cassino da Urca, playing also in other casinos. His own orchestra was formed in 1946; they performed until 1959 at the Casino of the Copacabana Palace Hotel. In that period, coinciding with the inception of bossa nova, several of the important names of the movement joined his orchestra or were accompanied by them, such as João Gilberto, João Donato, Milton Banana, and many others. In 1958, after having accompanied Elizeth Cardoso on the historic album where bossa nova was launched (Canção do Amor Demais), he was invited by Tom Jobim to appear on the debut album of João Gilberto. In the bossa nova period, he continued his active participation as a sideman in recordings. In 1966, he performed in Monaco with his orchestra, Copinha do Rio. In 1967, he teamed with pianist Dom Salvador, drummer Chico Batera, and bassist Sérgio Barroso, playing in Miami, Dallas, and Minneapolis (U.S.A.). His 50-year career was commemorated with the recording of the LP Jubileu de Ouro (Som Livre), in July 1975.

Alvaro Neder - extracted from All Music Guide

12 janeiro 2007

João Nabuco - Os Carvoeiros (1999)

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João NabucoEm 1990, formou-se em música para cinema e televisão na Berklee College of Music de Boston (Massachussets, EUA).

De 1991 a 1993, trabalhou como produtor musical na Rede Globo, criando e executando trilhas sonoras para novelas e minisséries, além de vinhetas para jornalismo, destacando-se a da edição extraordinária do "Jornal Nacional", veiculada até os dias atuais.

Em 1994, seu samba "Cheiro milagroso" foi escolhido para o desfile do bloco "Suvaco do Cristo".

Em 1996, compôs e assinou a direção musical de "Pequeno dicionário amoroso", filme de Sandra Werneck, que contou com a participação especial de Ed Motta e Nana Caymmi.

Em 1999, escreveu a trilha sonora do filme "Os carvoeiros", contemplado com vários prêmios nacionais e internacionais.

Em 2000, participou, ao lado de Ana Carolina, Seu Jorge e Ronaldo Bastos, da trilha sonora de "Amores possíveis", filme de Sandra Werneck.

Em 2002, participou com duas composições próprias do CD "4° comPasso" (Biscoito Fino).


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Scene from the movie The Charcoal PeopleNigel Noble's documentary about the lives of the carvoeiros, the migrant workers who produce charcoal from the trees of the Brazilian rain forests, is based on an award-winning photographic essay, and that is how it is best appreciated.

An evocative, moving visual portrait that vividly illustrates the conditions under which these people must work, "The Charcoal People" is nonetheless repetitive and ultimately rather dull as it proceeds through its relatively brief 70 minutes.

Receiving its world theatrical premiere at New York's Screening Room, the film will find its true calling as a specialty item for educational situations.

Scene from the movie The Charcoal PeopleThe trees harvested from the forests are used in the production of charcoal for the steel industries around the world to manufacture cars, buildings, etc. While the ecological consequences of this are touched upon in the film, it is generally far more interested in depicting the exact nature of the process and exploring the lives of the workers who must endure highly difficult conditions for very modest wages. The people on display here range from a 76-year-old man who exhibits an impressive physical vigor -- his parents, he informs us, lived well into their hundreds -- to a 9-year-old child who, it's quite clear, has few options for his future.

As they perform their often hazardous jobs, which involves cutting down trees and burning them in large kilns, the workers recount the dangerous, difficult conditions that they must endure. Although several of the subjects are quite articulate (and some are quite prideful about their work), the film's real impact is visual; the superb cinematography all too vividly captures the beauty and harshness inherent in this assault on nature.

Frank Scheck - May 4, 2001 - extracted from The Hollywood Reporter

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The composer, arranger and producer, João Nabuco, has already participated in various sound tracks, as those of the films Amores Possíveis and Pequeno Dicionário Amoroso. João is also musical director of the Sundance Festival.

Extracted from Biscoito Fino

30 dezembro 2006

Jacob e seus Chorões - Na Roda do Chôro (1960)

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+ 8 faixas bônus (todos os compactos da Continental) / + 8 bonus tracks (all the seven-inches for Continental)

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Jacob do BandolimMaior referência brasileira no instrumento que virou parte de seu nome, Jacob alçou o bandolim a um lugar de honra na música brasileira. Esse trabalho vinha sendo desenvolvido antes por outros instrumentistas, como Luperce Miranda, mas foi Jacob quem colocou definitivamente o bandolim como instrumento solista por excelência.

Nascido no Rio de Janeiro, ganhou o primeiro bandolim, de modelo napolitano (ou "de cuia") na adolescência. Apesar de se apresentar tocando em conjuntos instrumentais desde cedo, nunca se profissionalizou totalmente, tendo sempre outros empregos não relacionados à música. Foi vendedor, prático de farmácia, corretor de seguros, comerciante e escrivão de polícia, cargo que ocupou até morrer. Por não depender financeiramente da música, Jacob pôde tocar e compor com mais liberdade, sem sofrer pressões de gravadoras ou editoras. Figura rígida e disciplinada, tanto na personalidade quanto na música, pesquisou e resgatou parte do repertório tradicional do choro, repertório este que passou a incluir várias de suas composições, como "Noites Cariocas", "Receita de Samba", "A Ginga do Mané", "Doce de Coco", "Assanhado", "Treme-treme", "Vibrações" e "O Vôo da Mosca".

Depois de montar o grupo Jacob e Sua Gente, integrar o Conjunto da Rádio Ipanema e o regional de César Faria e participar de gravações históricas como a de Ataulfo Alves para "Ai, que Saudade da Amélia" (Ataulfo/Mário Lago) e a de Nelson Gonçalves para "Marina" (Dorival Caymmi), gravou em 1947 o primeiro disco solo, seguido por outros dois nos anos seguintes, pela Continental.

Na década de 50 transferiu-se para a Victor, onde gravou seus LPs. Montou o conjunto Época de Ouro em 1966, com grandes nomes do choro, como Dino 7 Cordas, César Faria, Jonas, Carlinhos, Gilberto e Jorginho. Alcançando expressiva popularidade, Jacob e o Época de Ouro ajudaram a divulgar o choro tradicional, por meio de shows e LPs, como o consagrado "Vibrações" (1967).

O conjunto permanece em atividade até hoje. Uma das últimas apresentações de Jacob, um show com Elizeth Cardoso e o Zimbo Trio em 1968, foi gravado e lançado em LP duplo, mas não foi relançado em CD no Brasil. Outras antologias foram produzidas, da mesma forma, exclusivamente para o mercado externo, onde a arte de Jacob é muito apreciada. Seu filho, o compositor Sérgio Bittencourt, homenageou-o no samba "Naquela Mesa" ("tá faltando ele/ e a saudade dele/ tá doendo em mim"), sucesso de Elizeth Cardoso, cantora que ele descobriu. Em 1997 a professora Ermelinda Paz lançou o livro "Jacob do Bandolim", pela editora Funarte.

Extraído do site CliqueMusic
Para mais informação, visite o site do Instituto Jacob do Bandolim

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Em pé: Luiz Bittencourt, Paulo Tapajós e Meira. Sentados: Dino, Canhoto e Jacob - Standing: Luiz Bittencourt, Paulo Tapajós, and Meira. Sitting: Dino, Canhoto, and JacobJacob do Bandolim is one of the first names in the history of the choro genre. A serious and dedicated musician, he instilled a high degree of professionalism in the traditionally relaxed music — even if he was never a professional himself (he made a living as a notary). He struggled to preserve Brazilian roots, and fought to impose his artistic sincerity on the music industry. He left important compositions that were incorporated in the repertory of chorões.

The son of a middle-class family, do Bandolim followed formal studies until his completion of the accounting course of study. In 1930, when he was 12, he became strongly motivated by the music of a blind violinist who was his neighbor. Asking his mother to give him a violin, he left the bow of the instrument aside, picking the strings with hairpins. After many broken strings, his mother gave him a mandolin at the suggestion of another neighbor.

His first performance as an amateur was three years later, at the Grêmio dos Estudantes Israelitas. In December of that year, he performed for the first time on Rádio Guanabara. In those times, he was already a brilliant mandolinist, and also a good violonista (acoustic guitarist) and cavaquinho player. In the next year, he won his first important contest at Rádio Guanabara, invited by Benedito Lacerda. Accompanied by Carlos Lentine, Luís Bittencourt, Canhoto, and Russo do Pandeiro, his group was named Jacob e Sua Gente by the show director, and was awarded the maximum grade given by the professional jury in a contest disputed by other 27 participants. Jacob e Sua Gente became a regular on Rádio Guanabara, alternating with the Regional de Benedito Lacerda and the Gente do Morro group in the accompaniment of professional singers and musicians like Noel Rosa, Herivelto Martins, Dunga, Joel e Gaúcho, Elizeth Cardoso, Ataulfo Alves, Lamartine Babo, Araci de Almeida, and Carlos Galhardo. But do Bandolim never became a professional musician because he knew he would have lost his musical personality — which was a very purist one. Instead, he held several jobs as a salesman or hawker, becoming a notary in 1940 and keeping that job until his death.

In 1935, he joined the Conjunto da Rádio Ipanema, one of the three important groups of his life, initially directed by Mário Silva and later directed by himself. The group featured César Faria (after 1939) and Claudionor Cruz (violões, or acoustic guitars), Léo Cardoso (afoxê), and Candinho (drums). In 1943, by insistence of his future father-in-law, he abandoned his radio work, returning at the explicit desire of his wife, Adylia, in 1945 at Rádio Mauá.

His first album was recorded in October 1947 with Continental (a company for whom he worked until 1949), having the hit "Remeleixo." In July 1949, do Bandolim moved to RCA Victor, recording eight albums until October 1950. From March 1951 on, for the next ten years, he was accompanied by the Regional do Canhoto. In July 1961, the recording of Chorinhos e Chorões marked the opening of the group Época de Ouro, the third important group of his life, and one of the most prominent of all time in the genre. The group used other names until the LP Vibrações, which was released in October 1967 and is considered one of the best of all time. Do Bandolim's imposed weekly rehearsals on Fridays and sometimes on Saturdays were rigorous. During those rehearsals the musicians sweated profusely, because the slightest mistake was accompanied by terrible admonishing in do Bandolim's resounding voice.

In 1968, with Elizeth Cardoso (whom he introduced to the artistic scene), the Época de Ouro, and the Zimbo Trio, do Bandolim gave a concert at the Teatro João Caetano that was released on two albums by the Image and Sound Museum of Rio de Janeiro, and is considered one of the best shows of all time in Brazilian popular music. The American mandolinist Dexter Johnson organized a compilation of do Bandolim's solo work on two CDs with 43 tracks, Mandolin master of Brazil.

Alvaro Neder - extracted from All Music Guide
For more info, visit Instituto Jacob do Bandolim

18 setembro 2006

Marcos Suzano - Sambatown (1996)

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Marcos SuzanoPercussionista carioca, escutava rock na adolescência até ouvir o naipe de percussão de um bloco carnavalesco e ficar fascinado. Comprou diversos instrumentos, tocou surdo, cuíca, e fixou-se no pandeiro depois de assistir a um programa com Jorginho do Pandeiro, do conjunto Época de Ouro. Fez faculdade de economia ao mesmo tempo em que freqüentava a casa de Hermeto Pascoal e Radamés Gnattali. Depois de formado, estudou ritmos africanos ao lado de um grupo com Paulo Moura, tocou com Zizi Possi, Água de Moringa, Marisa Monte, Zé Kéti, Gilberto Gil, Lenine e outros. Mais tarde desenvolveu técnicas para o instrumento, difundidas em cursos e workshops. Em 1993 sua parceria com o músico pernambucano Lenine se transformou no elogiado disco "Olho de Peixe", lançado pela gravadora Velas. Seu primeiro disco solo, "Sambatown", é de 1996, e traz concepções inovadoras para o uso do pandeiro, intensificando a batida samba-funk e a utilização de sons mais graves. Em 2000 saiu pela Trama o CD "Flash", em que o músico envereda ainda mais pelos caminhos da eletrônica.

Extraído do site CliqueMusic

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Marcos SuzanoMarcos Suzano was born in Rio de Janeiro, Brazil. Originally a rock fan, he experienced a carnaval bloco and became passionate about percussion thereafter. He quickly settled on the pandeiro as his primary instrument after witnessing the artistry of Jorginho do Pandeiro of the choro group Época de Ouro.

By the 1990s, Marcos Suzano had become perhaps the most recorded and widely hailed percussionist in Brazil. His technical innovations on pandeiro include an active left hand, which simultaneosly holds and flips the instrument, with a very rapid right-hand technique that emphasizes bass strokes from the fingertips as well as the thumb. He has researched African rhythms and freely mixes modern funk riffs with traditional Brazilian folk patterns.

Marcos Suzano records and performs internationally as a solo artist and with many leading Brazilian and international musicians.

Extracted from Wikipedia

29 agosto 2006

Os Cobras - O LP (1964)

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Os CobrasEm 1963, Milton Banana, Tenório Jr., Raulzinho, Zezinho e Hamilton Cruz (com participação de Paulo Moura e J.T. Meirelles) se intitularam Os Cobras e gravaram O LP. Pode parecer pretensioso, mas o nome da banda corresponde ao porte dos músicos e O LP é uma obra prima e um dos discos fundamentais do samba-jazz.

Hugo Oliveira - extraído do site Zero

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Os CobrasIn 1963, Milton Banana, Tenório Jr, Raulzinho, Zezinho and Hamilton Cruz (with participation of Paulo Moura and J.T. Meirelles) had intitled themselves as Os Cobras and had recorded O LP. It can seem a little pretentious, but the name of the band corresponds to the excellence of the musicians, and O LP is a masterpiece and one of basic records of samba-jazz.

Hugo Oliveira - extracted from Zero
Poorly and quickly translated, from Portuguese to English, with Babel Fish, with some fast and lazy corrections by myself.

06 abril 2006

Trio 3-D - O Trio 3-D Convida (1965)

Capa do disco
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Antônio AdolfoFruto da “febre dos trios” característica da segunda fase da bossa nova, quando uma geração de instrumentistas da mais alta impedância e estirpe passou a reinar no Beco das Garrafas, em contraponto estético à leveza da bossa “peso-pluma” (nas palavras de Ruy Castro) de Jobim, Bonfá & João Gilberto, o Trio 3D representou um marco na carreira de seu fundador, o carioca Antonio Adolfo Maurity Sabóia. Nascido em 10 de fevereiro de 1947, estudou no Conservatório de Música Lorenzo Fernandes, passando a frequentar o Bottle’s Bar e o Little Club a partir de 1963, integrando o grupo Samba Cinco.

Chamado para atuar na banda de apoio do musical “Pobre Menina Rica”, de Carlos Lyra, durante a temporada no Teatro de Bolso, formou o Trio 3D, em dezembro de 63. Contratado pela RCA em 1964, o conjunto debutou no LP “Tema 3D”, com Nelson Serra e Dom Um Romão revezando na bateria, o argentino Catcho Pomar domando o contrabaixo, o hoje esquecido Arisio dando canja no violão, e Claudio Roditi – agora reconhecido como um dos melhores trompetistas do mundo, segundo os leitores da revista Down Beat em 2000 - entrando pela primeira vez em um estúdio de gravação, na provecta idade de 17 anos.

Neste segundo disco para a RCA, “Trio 3D Convida”, lançado em abril de 1965, Adolfo ampliou a fórmula do LP anterior, convocando seis feras para contribuições especiais. Outro talento precoce, Eumir Deodato, já com curriculo de veterano aos 22 anos, assinou brilhantes arranjos para “Só Tinha de Ser Com Você” e “Peter Samba”, empregando um potente naipe de sopros. Na verdade, um quarteto formado, simplesmente, pelos dois melhores trombonistas na história da música brasileira - Edson Maciel e Raul de Souza - e por dois dos nossos melhores saxofonistas, João Theodoro “JT” Meirelles e Paulo Moura.

O contrabaixo foi entregue ao niteroiense Carlos Monjardim, ainda hoje ativo na noite paulistana, parente distante da cantora Maysa, sideman de Wilson Simonal nos tempos do Top Club, uma boate situada na praça do Lido. E a bateria ficou a cargo de Nelson Serra de Castro, carioca que, depois do 3D, trabalhou ao lado de Dom Salvador (piano) e Manuel Gusmão (baixo) no trio que acompanhava Elis Regina em programas dirigidos por Carlos Manga na TV Excelsior. Mais tarde, atuou na França com Meirelles, Fernando Martins e Edson Lobo. Tocava com Osmar Milito na casa noturna 706 quando, vítima de um desastre de motocicleta, faleceu prematuramente em fins dos anos 70.

Nas seis faixas do “lado A” do LP, atua apenas o trio. A faixa de abertura, “Água de Beber” (Jobim), tratada de forma grandiloquente em rebuscado arranjo, com várias alternâncias de andamento, deixa transparecer a nítida influência do Zimbo Trio, surgido um ano antes em São Paulo. Não menos intrincado, o tratamento dispensado a “My Heart Stood Still”, standard de Richard Rodgers & Lorenz Hart, popularizado por jazzistas do porte de Bill Evans, Chet Baker & Dave Brubeck, também passa por diferentes moods. Depois de uma longa introdução, com Monjardim usando o arco e Nelson Serra aderindo às baquetas de feltro, o trio mergulha num balanço a mil por hora, permitindo a Adolfo demonstrar a apurada técnica lapidada nos estudos de piano clássico. Ecos de Hamilton Godoy e também de Oscar Peterson voltam a se manifestar na versão de “Reza”, de Edu Lobo, abrigando criativa performance do baixista Monjardim.

Dois temas de Marcos Valle ensejam performances irretocáveis: a bossa-balada “Preciso Aprender A Ser Só”, acelerada na medida certa para escapar do romantismo meloso, e o samba “Batucada Surgiu” (recentemente redescoberto por DJs da cena dancefloor-jazz depois da gravação de Towa Tei no “Future Listening!” de 95), ralentado e revirado harmonicamente no melhor arranjo de Adolfo no disco. Igualmente arrojada e surpreendente, a recriação de “Tamanco no Samba” - gravado pelo Tamba 4 como “Samba Blim” - confirma as excepcionais qualidades do líder como arranjador. O tema de Orlandivo, volta e meia tratado, inclusive pelo próprio autor, como sambinha corriqueiro, se transforma em samba-jazz de alta densidade, abrigando evoluções poliritmicas de Nelson Serra a la Elvin Jones.

JT MeirellesOs convidados surgem nas faixas do “lado B”. Edson Maciel desliza seu trombone de vara, pela bela melodia de “Primavera” (Carlos Lyra), em atmosfera de intenso lirismo mas nada açucarada, enquanto Raul de Souza, que três meses antes havia lançado seu disco-solo “À Vontade Mesmo” pela RCA, conta “um, dois, três” antes de esbaldar-se no trombone de válvula em “Bye Bye Blackbird”, aprontando solo de estonteante fluência. Meirelles (líder do Copa 5) mostra sua classe no sax-tenor no sambop “Tema 3D”, única composição de Adolfo incluida no repertório. E Paulo Moura, no sax-alto, destrincha “O Passarinho”, obscura parceria de Chico Feitosa & Lula Freire, encaixando explícita referência a “Take Five”.

A constelação de astros aparece reunida em duas faixas, cujos arranjos foram sabiamente confiados ao gênio Eumir Deodato: “Só Tinha de Ser Com Você” (o tema de Jobim gravado um ano antes por Eumir, em clima bem mais dark, em seu LP de estréia, “Inútil Paisagem”, e por ele novamente regravado para a trilha do filme “Bossa Nova” em 1999), e “Peter Samba”, swingada colaboração de Durval Ferreira & Mauricio Einhorn. Graças a genialidade de Eumir na arte da orquestração, o quarteto de sopros soa como uma big-band! Sequência dos solos: Maciel, Moura, Raulzinho, Meirelles e Adolfo.

Grafado na capa como 3D Trio, o grupo participou em outubro de 65, dividindo o palco com Pedrinho Mattar, Jongo Trio e Gilberto Gil, do “4º Festival do Balança – O Maior Som Universitário do Brasil”, lançado pela RCA em 66. Ainda na RCA, acompanharam de Eliana Pittman (“Minha Melhor Melodia”) a Wilson Miranda (“Tempo Novo”). Novelli passou a ser o baixista, e Vitor Manga, o baterista. Alterando mais uma vez o nome, desta vez para Conjunto 3D, fazendo um som bem nos moldes do “Brasil 66” de Sergio Mendes, saiu em 1967 o álbum “Muito na Onda” (Copacabana), que marcou a estréia discográfica do guitarrista Helio Delmiro, acoplado à base formada por Adolfo, Gusmão e Nelson Serra, e às vozes de Beth Carvalho & Eduardo Conde.

Em 1968, ainda com o 3D, o pianista marcou presença no LP “Isto É Musicanossa!”, do selo Rozenblit, ao lado de Mario Telles, Johnny Alf, Gaya, Menescal e o Sexteto Contraponto. Aderiu à Turma da Pilantragem, comandando o grupo Antonio Adolfo & Asseclas Musicais nos três discos que o pseudo-movimento liderado por Carlos Imperial, Wilson Simonal e Nonato Buzar gravou para a Polydor entre 68 e 69. Logo depois, Adolfo obteve sucesso comercial ainda maior com seu grupo A Brazuca, gravando dois LPs para a Odeon, faturando prêmios em festivais, e emplacando sucessivos hits em parceria com Tibério Gaspar como “Sá Marina” (sucesso internacional sob o título “Pretty world”), “Juliana”, Teletema” e “BR-3”.

Continuou trilhando peculiar caminho pela MPB nas três últimas décadas, tornando-se um dos pioneiros na luta pela abertura de mercado para os discos independentes (a partir do “Feito em Casa”, de 77, seguido por “Encontro Musical” e “Viralata”), desenvolvendo sólido trabalhado como educador (inclusive no exterior, como membro da IAJE), e dedicando-se às releituras das obras de Chiquinha Gonzaga, Ernesto Nazareth e João Pernambuco. Mas jamais retornando à estética bossanovista do Trio 3D. Motivo extra para que o relançamento deste disco singular seja amplamente celebrado.


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Raul de SouzaWhen people think of Brazilian jazz in the '60s, the first thing that comes to mind is bossa nova — a caressing, subtle, laidback blend of cool jazz and samba. But not all of the Brazilian jazz from that decade is bossa nova. Some Brazilian improvisers were influenced by the more aggressive and extroverted sounds of hard bop. They respected Stan Getz' legendary work with João Gilberto and Antonio Carlos Jobim, but they preferred a tougher, more hard-swinging style of Brazilian jazz. They identified with the forcefulness of Phil Woods, Cannonball Adderley, Horace Silver, and Art Blakey's Jazz Messengers, rather than the subtle introspection of Chet Baker and Lee Konitz. In the '60s, Brazil's hard boppers included trombonist Raul de Souza and 3-D, which consisted of pianist Antonio Adolfo, bassist Carlos Monjardin, and drummer Nelson Serra De Castro. Raul de Souza isn't actually the leader on Convida; this is really a 3-D album, and Raul de Souza is among the guest soloists (who also include tenor saxman J.T. Meirelles, and alto saxman Paulo Moura). But because the underexposed Raul de Souza hasn't recorded nearly as often as he should have, his admirers will want to hear Convida, which has never been released in the United States. Convida originally came out on LP in Brazil in 1965, and in 2002, RCA's Brazilian division finally reissued it on CD. Although Raul de Souza has some inspired guest spots, the main soloist is Adolfo — a lyrical yet exuberant pianist with a strong Red Garland influence. Adolfo also inspires comparisons to Wynton Kelly and Tommy Flanagan, and he favors a passionate hard bop/samba blend on Brazilian songs as well as a few American standards. Jazz enthusiasts who don't live in Brazil would do well to search for import copies of this excellent CD.

by Alex Henderson - extracted from AMG
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