05 dezembro 2006

Uakti - Uakti 2 (1982)

Capa do disco
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O disco Oficina Instrumental (1981) pode ser encontrado no Abracadabra-LPs do Brasil.

The album Oficina Instrumental (1981) can be found at Abracadabra-LPs do Brasil.
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Uakti - por Paulo LacerdaTubos de PVC, vidros, metais, pedras, borracha e cabaças: tudo serve como material para o músico Marco Antônio Guimarães criar instrumentos e produzir os sons do grupo Uakti. Responsável pela direção musical e pela fabricação dos instrumentos, Marco Antônio concedeu entrevista exclusiva ao site no dia 8 de junho, durante ensaio do grupo no grande teatro.

O músico Artur Andrés Ribeiro também conversou com o site. "somos um grupo de música instrumental, e já passamos desse umbral entre o popular e o erudito: transitamos bem entre esses dois universos", explica Artur. O show Uakti e Wagner Tiso será nos dias 9 e 10 de junho (2006), no Grande Teatro do Palácio das Artes. Confira a entrevista.

Palácio das Artes - Quantos instrumentos você já criou, Marco?
Marco Antônio Guimarães - Comecei a criar antes até do grupo, em 1971, e muitos instrumentos já nem existem mais. Mas acredito que existam em torno de 50 e todos foram feitos com todo o tipo de material que pude experimentar.

PA - Como é o processo de criação dos instrumentos? Que tipo de pesquisas faz?
MAG - Há várias fases de minha criação. Quando comecei, após estudar composição na área de música contemporânea instrumental, fazia instrumentos que não tinha importância se não tivessem escala, efeito sonoro. Depois comecei a construir instrumentos de corda, e, aos poucos, comecei a pesquisar materiais diferentes. Houve um período em que o trabalho foi determinado pelo material: fiquei muitos anos experimentando possibilidades do PVC. Os instrumentos atuais vieram desse período: instrumentos de percussão, de corda, de sopro. Essa fase puramente experimental foi antes de surgir o grupo. Quando, em 1978, começa o Uakti, eu passo a construir os instrumentos já pensando no grupo. Aos poucos, fui vendo as possibilidades que tinha cada um deles e os ia desenvolvendo em função da técnica que o grupo desenvolvia.

PA - De onde surgem as idéias para usar materiais? De onde vem a inspiração?
MAG - Esta é uma pergunta difícil de responder. Eu sempre tive uma criatividade muito desenvolvida, um dom. Quando criança, eu inventava meus próprios brinquedos. Com isso, eu aprendi a trabalhar com ferramentas e materiais diferentes.

É muito de experimentação também o que eu faço. Experimentei todo tipo de PVC, por exemplo: as medidas, os encaixes, as conexões. Muitas vezes, ao acaso, descobria uma sonoridade que eu achava interessante, a partir daí via até onde podia ir para o grave ou para o agudo. Depois, se fosse um instrumento com muitos tubos, eu precisava criar uma estrutura para ele. Uma coisa ia puxando a outra.

UaktiOs instrumentos vão surgindo... No processo de criação de um instrumento é comum surgir a idéia de um outro, pelo material que eu estava usando, pelas soluções que eu estava encontrando. Uma coisa muito importante é ter domínio de todo tipo de ferramenta e material. Para fazer alguns instrumentos, por exemplo, tive que aprender a cortar vidro, a aprender marcenaria. É preciso saber também onde encontrar o material: já saí pela Avenida Paraná, entrei em tudo quanto é loja para ver se encontrava uma peça que eu estava imaginando e precisava para um instrumento. Ás vezes, encontrava em lojas de peças de carro, ou de material de construção, e até mesmo de material cirúrgico.

PA - Você já tentou tirar som de algo que não conseguiu?
MAG - Várias vezes eu tentava um material, achava que podia dar uma coisa, não dava e acabava desistindo. Ás vezes, porque não tive a sorte de experimentar de uma certa maneira... Os instrumentos de PVC, por exemplo, surgiram por que, uma vez, eu estava cortando um tubo de PVC, aí bati a mão por acaso, deu um som que eu gostei muito, e, então, comecei a pesquisar a partir daí.

PA - Qual material foi mais trabalhoso tirar o som e qual deu melhor resultado sonoro?
MAG - Há instrumentos que é difícil a criação, é preciso criar dezenas de pecinhas. Teve uma época que fiquei experimentando instrumentos mecânicos, que funcionassem com motor. Tentava instrumentos que tocassem sozinho. Acabei chegando a um resultado muito bom, a um instrumento chamado Nastaré. Ele cria a própria música.

A cabaça é um material usado no mundo inteiro para fazer instrumentos e que dá um bom resultado, tem uma certa resistência para suportar a tensão das cordas. É leve, vibra muito bem. Mas o PVC é muito produtivo também: encontra-se em muitas medidas diferentes, há conexões de todo tipo, encontra-se em qualquer esquina, é barato e é fácil de trabalhar.

UaktiPA - Com qual material você conseguiu um som mais inesperado?
MAG - Há uma quantidade grande de instrumentos que tem um som inusitado. Na verdade, existem aqueles que atraem mais atenção, não só pelo material usado, mas pelo mecanismo de funcionamento dele. Um exemplo é um instrumento de PVC com cordas, que toca girando, e se chama Torre. Ele tem um efeito bem mágico. É um instrumento hipnótico. Qualquer lugar do mundo que a gente toca, a platéia fica fascinada. Quando tem um solo dele, as pessoas ficam imóveis. Iremos apresentá-lo no espetáculo no Palácio das Artes e todos poderão conferir.

Palácio das Artes - A impressão que passa é que o improviso é fundamental para a experimentação do grupo. É isso mesmo? Qual a importância do improviso para vocês?
Artur Andrés Ribeiro - A improvisação te traz para o momento. Ela tem esse poder e sempre interfere de forma positiva. Você não pode estar dormindo, repetindo aquela melodia que você toca 500 vezes em casa, e vem ao palco e toca 501. No entanto, o improviso pode ser uma coisa automática também. Mas, quando improvisamos, sempre buscamos relação com o momento, com o que estamos fazendo na hora.

PA - O nome do grupo é Uakti - Oficina Instrumental. O desejo de vocês é passar essa idéia de oficina, um grupo em constante processo de transformação?
AAR - Sim, por que é um trabalho sempre constante. Os instrumentos que foram construídos há 20 anos, por exemplo, demandam manutenção, e há instrumentos novos que estão sendo feitos, há projetos novos. Então é um trabalho de oficina, mesmo... não funciona assim: "fechou e agora é só tocar". É um processo vivo, contínuo.

PA - Das primeiras apresentações desde o começo do grupo, em 1978, o que mudou?
AAR - Mudou muito. Éramos músicos de sinfônica, tocávamos muita música erudita, com partitura, não havia essa liberdade que temos hoje. Estamos mais maduros, mais fluentes e, entre nós, há uma relação muito mais harmônica, o que é difícil em um grupo.

Louraidan Larsen - 08/06/2006 - extraído do site do Palácio das Artes
Para mais informação, visite o site do Uakti

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Uakti - by Paulo LacerdaThe Uakti are a quartet formed in 1978 by Marco Antônio Guimarães (musical director and main composer), Paulo Sérgio dos Santos, Artur Andrés Ribeiro, and Décio de Souza Ramos; the musicians have classical backgrounds and play with the Minas Gerais Symphonic Orchestra. The Uakti is devoted to extracting an extremely musical result from instruments made from PVC tubes, wood, glass, tin cans, and the like. Their name was taken from an ancient legend from the Tukano Indians of the Alto Rio Negro region in the Amazon. The legend recounts that Uakti was a musician who had holes throughout his body through which the wind would produce sounds that seduced women. Jealous, the men killed Uakti and buried him. In that place appeared three palm trees with which flutes are made, evoking the sound originally produced by Uakti's body. These instruments must be played only by men, so that the women don't feel tempted.

Being from Minas Gerais, the group itself was noticed and sponsored by Milton Nascimento, whose albums they participated in. Nascimento also produced their first album, Uakti/Oficina Instrumental, in 1981. The marimba made from the Angelim wood that would be central to their sound appeared on the group's second LP, Uakti II (1982). Having performed internationally, the Uakti also has had its albums released abroad. Their 1989 LP Mapa included an instrumental version of "Dança dos Meninos," a song written by Guimarães and Milton Nascimento.

Alvaro Neder - extracted from All Music Guide
For more info, visit Uakti's site

8 comentários:

Cabinboy disse...

does anyone have felipe poli - trem fantasma
tks for all the great music!

Bruxa do Vinil disse...

Este disco é ma-ra-vi-lho-so !!
Parabéns pela escollha :)

mvcosta disse...

Cabinbboy,
Unfortunately I don't have it. As soon as I get a copy, I'll post it.
If anyone has it, please send me so I can post it here.

mvcosta disse...

Bruxa,
Também gosto muito desse disco. Aliás, todos do Uakti são maravilhosos. Em breve postarei o primeiro, que também está fora de catálogo.
Ainda não esqueci dos posts do Hermeto. Vamos começar na semana que vem? Acho legal postarmos em ordem cronológica, começando com o Conjunto Som 4.

Bruxa do Vinil disse...

Tá topado!
Eu tenho o primeiro do Uakti já convertido de LP, quer que eu poste?
Na verdade, eu adoraria...
Avise :)
Duofel também é o máximo !!!!!!!!!!!!
Bruxabraços !

mvcosta disse...

Posta sim. Vc tem ele com as capas?

Bruxa do Vinil disse...

Tenho, amanhã eu posto, com prazer :)

Bruxa do Vinil disse...

Olá MV, acabei de postar o Uakti-Oficina Instrumental no Abracadabra.
:)

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