04 maio 2006

Cesar Camargo Mariano & Romero Lubambo - Duo - Ao Vivo (2005)

Capa do disco
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Faixas extraídas do DVD ao vivo lançado pela dupla / Audio tracks extracted from the live DVD released by the duo

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A parceira de dois dos maiores músicos brasileiros nasceu por acaso. O pianista César Camargo Mariano e o guitarrista Romero Lubambo se conheceram nos EUA em 1994. Romero era fã de César, sabia suas composições de cor, César já tinha ouvido falar de Romero e queria muito conhecê-lo. A primeira conversa não poderia terminar de outra maneira. Os dois sentaram para tocar. Bendita hora! Toda a geniliadade dos músicos aparece no DVD Duo que a gravadora Trama acaba de lançar. Cesar Camargo Mariano & Romero LubamboO DVD tem 13 canções, mais 2 faixas bônus.No repertório, clássicos da música brasiliera como No Rancho Fundo (Ary Barroso e Lamartine Babo) e Wave e Fotografia (Tom Jobim). Há também 6 composições de César, como as famosas Samambaia e Cristal e uma de Romero (Mr. Junior). Logo na primeira faixa, Samba Dobrado (composição de Djavan), os músicos mostram que a intregração do samba do César e do jazz de Romero não poderia ser mais perfeita. Em Choro Nº 7, os dois músicos dialogam com frases musicais perfeitas, deixando a pequena platéia do restaurante Fasano ( onde o DVD foi gravado) de boca aberta. É interessante ver a expressão no rosto do também musico Tom Zé, que assiste a apresentação bem atrás de César e parece não acreditar no que vê e ouve. O DVD ainda traz o making off da gravação com depoimentos dos profissionais envolvidos no projeto e um documentário no qual César e Romero falam do encontro dos dois e contam histórias curiosas, como a do estúdio onde o CD (lançado em 2002) foi gravado que foi construído numa antiga estação de trem. Mas detalhe, o trem ainda passa por lá e os músicos são avisados quando uma composição se aproxima para que possam parar a gravação. Ainda há os depoimentos de John Pizzareli, Maria Schneider e Chico Pinheiro. Em entrevista exclusiva para Música & Afins, diretamente de New Jersey, onde vive, César Camargo Mariano revela detelhes do seu encontro com Romero Lubambo, fala sobre a gravação do DVD, comenta sobre a atual situação da música brasileira e da emoção de tocar com a nova geração da MPB.

Cesar Camargo Mariano & Romero LubamboEm entrevista exclusiva, César Camargo Mariano fala sobre o lançamento do DVD Duo, do que pensa sobre a música brasileira, de novos projetos e sobre o novo disco da cantora Gal Costa.

Música & Afins: Como surgiu essa parceira entre César Camargo Mariano e Romero Lubambo?
César Camargo Mariano: Logo que eu cheguei aqui nos EUA, em 1994, eu fui fazer um show em Nova York e o Romero apareceu no camarim para me conhecer. Eu já havia ouvido falar dele e também estava louco para conhecê-lo. Ficamos amigos antes de começarmos a tocar juntos. O primeiro show que fizemos juntos foi no festival de Montreux, na Suíça. Fomos com um quarteto, mas em um momento do show eu e ele apresentamos duas músicas só com piano e violão. Foi nesse aí que percebemos que a dupla dava pé.

M&F: Como foi a idéia de lançar o CD, em 2002?
CCM: De início, nunca pensamos em gravar nada juntos. Mas começamos a fazer muitos shows juntos e todo mundo começou a pedir para gravarmos. Apareceram algumas gravadoras aqui nos EUA e outras no Brasil interessadas em lançar um álbum. Mas tinha um porém: tanto eu como o Romero queríamos que o disco saísse aqui e no Brasil. A única que topou isso foi a Trama. Acho que a idéia do DVD sempre foi mais forte do que a do CD pelo fato do fazer 'ao vivo', daquela adrenalina. No estúdio o resultado ficou muito bom, nós reproduzimos exatamente o show, mas era só eu e o Romero, não tinha platéia, faltava alguma coisa.

M&F: E como foi essa passagem para o DVD?
CCM: O Paulo Franco, diretor do DVD, vez ou outra sempre está em nossos shows, registrando as apresentações. Foi ele que mais nos incentivou a gravar. O registro ia acontecer na Sala São Paulo, mas no meio do caminho fiquei sabendo que havia outros lugares disponíveis. Um deles era o Fasano. Eu vibrei! Tenho uma história muito particular com o Fasano. Algo entre mim e minha mulher, uma coisa de mais de 20 anos ... Em apenas um dia todos os equipamentos foram montados. O clima da gravação ficou muito gostoso. As pessoas sentadas no chão, bem próximas da gente. Foi maravilhoso. Saiu com a adrenalina que eu queria.

M&F: Como foi elaborado o repertório do projeto Duo?
CCM: Desde o começo do Duo, o repertório é conseqüência do 'jeitão' como a gente toca. O Romero começa a tocar o violão e eu vou fazendo algo no piano e de repente surge uma música. Daí a gente percebe que essa levada lembra uma música do Djavan, por exemplo. Ou seja, não é partir do repertório que a gente senta para fazer os arranjos. Tudo nasce meio que sem querer, nasce do suingue. É meio improvisado, mas não é (risos). Mas tem o seguinte: quando tudo acaba é a hora de sentar e se organizar . Aí começa o trabalho de fazer os arranjos e ficar horas ensaiando.

M&F: Você e o Romero têm características diferentes. Ele mesmo diz que você é mais improvisador e ele é mais organizador. Como vocês amarram isso no palco?
CCM: Na verdade, não concordo com ele. Acho que ele é mais jazzista. Ele toca e é jazzista! Eu sou mais 'brazuca', mais samba. Até toco jazz, mas não sou um jazzista. Essa diferença toda cria um contraste muito interessante. São trocas de informações que resultam nesse trabalho. Ele é mais agressivo, mais forte tocando. Eu sou um pouco mais relaxado, mais 'baladeiro'. Porém isso funciona muito bem no palco na hora da improvisação. Acho que é esse contraste que as pessoas curtem tanto...e nós também, claro!

M&F: Você está com mais de 40 anos de carreira. Você acha que a música instrumental está sendo mais valorizada no Brasil?
CCM: Deixa eu falar isso sem machucar as pessoas...Continua muito difícil. Quando a gente sai do nosso país a gente começa a olhar melhor o país de fora e começa a comparar. Aqui nos EUA, onde eu vivo há 11 anos, é a mesma coisa. As proporções é que são diferentes. A música instrumental aqui vende 500 mil discos, ou seja, é uma fatia muito pequena do mercado americano. A diferença é que aqui existem emissoras de rádio e TV especializadas em música instrumental. Agora,o nível das coisas é que é o grande diferencial. As pessoas no Brasil não estão muito preocupadas com a qualidade. E isso é uma tristeza. Minha preocupação é com o nível. Não estou falando de gênero ou ritmo. É preciso ter tempo para fazer um projeto, sentar e elaborar. Cesar Camargo Mariano & Romero LubamboHoje isso é muito raro. No Brasil isso só acontece através das gravadoras independentes, que também têm uma preocupação com o mercado, mas a visão é diferente. O artista precisa de tempo para ficar dentro do estúdio, para pesquisar, para elaborar um trabalho. Sem correrias...Esse papo de que a gravadora precisa fazer tantos produtos no ano, de que o lançamento tem que ser em tal mês para justificar o investimento é papo para uma indústria normal, de sabonetes, de café, sei lá.... Em música não deveria ser assim. A Biscoito Fino, por exemplo, vai lançar um selo brasileiro de música erudita e isso é maravilhoso! Só uma independente tem esse tempo, esse prazer de fazer um projeto desses.

M&F: Por falar em projetos bem elaborados, você participou da reedição do LP Elis & Tom para o formato DVD-Áudio? Você esperava esse sucesso todo que o álbum tem feito?
CCM: Não e sim. Porque olhando pelo lado do elitismo, você tem uma expectativa. Você pensa: 'que legal que ficou esse projeto, tomara que venda...tomara'. Por outro lado, o público da Elis é muito grande e tem os filhotes, as novas gerações que também são seguidoras do trabalho dela e do Tom Jobim. Se você analisar que eles sempre venderam de 150 a 200 mil discos, a expectativa já muda, já se torna interessante. Mas acho que o mais importante é o formato dessa mídia. Um DVD sem imagem, de alta tecnologia. Isso fez com que a Trama e as outras gravadoras, detentoras do repertórios da Elis e do Tom, se interessassem e a gente com certeza vai fazer mais.

M&F: Você já pode adiantar quais serão os próximos álbuns que passarão por esse processo?
CCM: Infelizmente não, porque existem vários e isso fica numa fila. Depende de muita coisa. É um trabalho enorme. Só a parte da mixagem dura cerca de 6 meses. É um processo delicado, mas existe 3 ou 4 projetos na gaveta que assim que for possível a gente começa.

M&F: Você tem gravado muito com a nova geração da música brasileira (Pedro Mariano, Daniel Carlomagno, Chico Pinheiro, Max de Castro) que chega a te idolatrar. Como fica isso na sua cabeça?
CCM: As vezes me inibe um pouco quando eu realizo isso. Mas para mim é muito natural, não sei se é porque eu estou sempre na ativa... Só se eu parar para pensar, aí sim a ficha cai. Aliás já aconteceu umas duas ou três vezes e a mais recente foi agora durante a gravação do novo disco da Gal Costa (com lançamento previsto para agosto pela Trama). A faixa-etária dos músicos no estúdio e dos técnicos do estúdio era de 20 anos. Todos super competentes, profissionais. Mas um dia eu tinha terminado de gravar e fui ouvir. Aí pensei 'Meu Deus, que super som está isso, está perfeito, uma maravilha' e olho ao redor e vejo um bando de garotinhos, todos prestando muita atenção, dedicados. Isso me emocionou muito, me emociona agora! Quando eu gravei com o Pedro foi a mesma situação. Um dia ele estava gravando voz guia do meu lado e de repente eu olho para ele e o vejo todo suado, cantando com aquela gana toda e passei o olho ao redor do estúdio e estava todo mundo da mesma forma compenetrado. Ah, eu tive que parar e sair do estúdio! São nessas situações que a ficha cai!

M&F: E as novidades que essa juventude traz, como os equipamentos eletrônicos, os samplers. Isso te agrada?
CCM: Totalmente. Meus esquipamentos aqui no meu estúdio estão sempre atualizados. Eu preciso fazer isso, já que sou um produtor, um arranjador. Além disso eu gosto demais disso. No disco da Gal, por exemplo, a gente usou umas seqüências como baterias eletrônicas, muito sutis, mas usamos. Ela também se encantou com aquilo. Meu próximo disco, que será gravado em outubro, será com um quarteto e mais dois DJs e um programador de teclados e sintetizadores. Será um 'onda' dos anos 70, aqueles sambas, mas tudo misturado com possibilidades de remixes. Essas novidades são muito criativas. Eu adoro.

M&F: Você acabou de produzir o novo disco da Gal Costa que está sendo muito esperado pela crítica e pelo público. Você sente uma certa responsabilidade de ser o produtor desse disco?
CCM: Sempre que você 'mexe' com uma cantora como a Gal é uma responsabilidade muito grande. Mas é normal. Esse disco não foi por acaso. Estou conversando com a Gal faz dois anos. Ela tem um apartamento aqui e sempre que ela vinha para cá nós discutíamos muito sobre esse trabalho. É assim que eu gosto de trabalhar. É delicado porque só irá trazer músicas inéditas, compositores da nova geração, um frescor que eu propus e ela concordou. A Gal ficou muito contente com o resultado, era exatamente o que ela queria. Só que o disco é dela, meu nome não irá sair na capa. Mas existe um certo peso em todo trabalho que a gente participa, não dá para negar.

Danilo Casaletti - extraído do site Revista Quem
Assista à alguns vídeos no hotsite do projeto

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Cesar Camargo Mariano & Romero LubamboDuos can be tough to pull off, especially for a whole CD, and piano/guitar duos are tougher still. It takes a special kind of mutual craftmanship and understanding for two chordal instruments to make music together without getting in each other's way. Cesar Camargo Mariano, one of Brazil's most respected arrangers and composers (and the widower of the legendary Elis Regina, that country's Edith Piaf), is also a fine player whose uncluttered approach works perfectly with that of Lubambo, the elegant first-call, New York-based Brazilian guitarist. Both have an impeccable sense of rhythm and a soulful, romantic delivery, and have played together often in Mariano's quartet. If anybody can make this format work, it's these two. And they do.

There's some gorgeous stuff on here, like Mariano's "Choro #7,"the wistful "Era Bom," and a fast-flowing "Joy Spring." Lubambo's composition, "Mr. Jr.," is darkly exciting and wonderfully intricate, as is "April Child," while Mariano's "O Que E..." is jubilant. Jobim is well-represented in a dreamy, swaying "Fotografia" and one of the most tender arrangements of "Wave" I've ever heard. Taken slower than usual, it highlights its subtle harmonic beauty. This Duo makes a rich, very satisfying combination. The warm friendship between the two is audible and enveloping.

Judith Schlesinger - extracted from All About Jazz
Watch some videos on the project hotsite

7 comentários:

Nelton disse...

Nossa não sei nem como te agredecer por todos esses CD's. Seu blog merece ser até premiado por ajudar na conservação da cultura brasileira hehehehe. Aproveitando que vc postou esse do Cesar Camargo e Romero Lubambo, seria muito bom se vc tivesse como postar o CD "Samambaia" do Cesar Camargo e Hélio Delmiro que segue o mesmo formato . Valeu.

mvcosta disse...

Nelton,
Valeu pelo elogio. O próximo será o Samambaia. Outro disco que também é um duo piano e violão, que é maravilhoso, e postarei em breve aqui, é o tributo ao Garoto, com o Radamés e o Raphael Rabello. Um dos melhores discos de MPB.

Anônimo disse...

Seu Blog é fantástico, pois reune uma coletânea maravilhosa da música instrumental Brasileira. Somente um alerta: O site "Turboupload.com" redireciona para outros sites que não são bloqueados pelo "popup blocker" do Internet Explorer, e são instalados vários "spywares" no micro de quem acessa. Tive uma invasão de vírus e spywares que até o momento não consegui eliminar. Voce poderia verificar o que está acontecendo e informar aos acessantes do seu site?

Rivaldo disse...

"sinceramente o melhor blog que ja visitei em toda a minha historia com a internet"

parabens! mesmo!!!

mvcosta disse...

Valeu pelo elogio, Rivaldo.
Grande abraço,
mvcosta

Cristino Filho disse...

Voce eh o cara ...

Eh isso que chamamos de música

PARABENS ...

Cristino Filho

mvcosta disse...

Cesar Camargo Mariano & Romero Lubambo - "Duo - Ao Vivo" (2005 - Trama)

Disco 1
1. Samba Dobrado
(Djavan)

2. Choro Nº7
(Cesar Camargo Mariano)

3. Fotografia
(Antonio Carlos Jobim)

4. Curumim
(Cesar Camargo Mariano)

5. Short Cut
(Cesar Camargo Mariano)

6. Cristal
(Cesar Camargo Mariano)

7. Joy Spring
(Clifford Brown / Max Roach)

8. There Will Never Be Another You
(Harry Warren / Mack Gordon)


Disco 2
1. Mr. Junior
(Romero Lubambo)

2. No Rancho Fundo
(Ary Barroso / Lamartine Babo)

3. Samambaia
(Cesar Camargo Mariano)

4. April Child
(Moacir Santos / Raymond Evans / Jay Livingston)

5. Wave
(Antonio Carlos Jobim)

6. Era Bom
(Hianto de Almeida / Macedo Neto)

7. O Que É, O Que É
(Cesar Camargo Mariano / Márcio Moreira / Sérgio Augusto)


Cesar Camargo Mariano - piano acústico Yamaha C5
Romero Lubambo - violão

Gravado ao vivo no Buffet Fasano, São Paulo - SP

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