08 julho 2008

João Donato e Eumir Deodato - Donato/Deodato (1973)

Capa do disco
Clique aqui para baixar o disco/Download the album - Mediafire . enviado por J. Neto

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João DonatoDepois da gravação do meu primeiro disco, Vôo de Coração, em 1983, comprei meu primeiro sintetizador, um poderoso Jupiter 8, da Roland. Foi apenas o início, comecei a colecionar teclados eletrônicos. Os produtores do meu 3º disco, Circular, trouxeram da Inglaterra a recém-lançada tecnologia MIDI e eu fiquei fascinado com a possibilidade de ligar um instrumento no outro, somando os timbres. Com a ajuda de um computador Atari ST, montei um pequeno estúdio MIDI em casa que aos poucos foi crescendo até virar uma sala "state-of-the-art". Isso foi em 1986. Foi um dos primeiros estúdios do genero no Brasil e, por isso, acabou atraindo a atenção de muitos músicos amigos, interessados nas possibilidades que a então-nova tecnologia oferecia, a de gravar arranjos complexos diretamente no computador sem o auxílio de fitas de gravação convencionais.

Um desses músicos era o João Donato, grande figura da Bossa Nova e autor de pérolas como "A Rã". João só conhecia o piano acústico e elétrico. Essa tecladaria toda era uma grande novidade para ele e quando ele viu a partitura sendo escrita, em tempo real, na pequena tela do computador, enquanto ele tocava, ele ficou maravilhado. Para quem escrevia suas partituras a lápis era, de fato, uma mão na roda. As possibilidades, para ele, eram enormes. Em 1989, ele passou a frequentar minha casa quase diariamente e eu, por minha vez, enquanto pilotava as geringonças todas, aproveitava a oportunidade para observar, ouvir e aprender com esse mestre do suingue carioca.

Eumir DeodatoNo final de cada dia, registravamos as gravações do dia em fita DAT e eu fazia cópias em K7 para que Donato pudesse ouvir tudo na casa dele. Sendo o rei do improviso que ele é, este acabou registrando muita coisa inédita enquanto aproveitava a tecnologia MIDI para elaborar arranjos completos das suas músicas.

Um dia, recebi um telefonema do meu grande amigo Sérgio Dias, guitarrista dos Mutantes, que nessa época morava no Rio.

- Estou aqui com meu amigo, Eumir Deodato. Ele está visitando o Brasil e está muito interessado em ver teu estúdio. Posso passar aí com ele hoje à tarde?

(Deodato, para quem não sabe, é considerado um dos maiores arranjadores do mundo. Além do seu trabalho próprio, é conhecido também por ser o arranjador predileto da cantora islandesa, Björk).

Liguei pro Donato avisando que naquele dia não seria possível ter nossa sessão habitual. Expliquei que o Deodato vinha em casa visitar meu estúdio.

- Deodato! Que nada, Ritchie! Ele vai aí só para ouvir minhas fitas! Pelo amor de Deus, não deixe ele ouvir nada, 'tá combinado?

- Calma, João! Isso não passa de paranoia sua. O cara nem sabe da existência das nossas fitas demo, que eu saiba. E mesmo se ele quisesse ouvir, qual seria o problema disso?

- É que ele já fez isso comigo uma vez! Mostrei uma música minha pra ele e ele voltou para Nova Iorque e fez um arranjo igualzinho ao meu, no disco dele, e pior, nem me deu crédito... Esconde as fitas, pelo amor de Deus!

João Donato- Tá bom, Donato, mas digo mais uma vez, acho que isso não passa de paranoia sua. Nem vou falar do assunto com ele e vou esconder as fitas se isso te deixa mais tranquilo...

Desliguei o telefone. Esses caras da Bossa Nova já levavam fama de doidos, mas eu havia detectado o desespero na voz dele e resolvi esconder as fitas.

De tarde, Serginho e o Deodato chegaram na minha casa. Antes de chegarmos no estúdio, nos fundos da casa, este virou pra mim e falou:

- Ritchie, alguém me disse que você anda fazendo umas demos com Donato. Sou grande fã do cara, você poderia me mostrar as fitas?

Tentei manter a cara mais lavada do mundo:

- Lamento muito, Deodato, mas o João sempre leva as fitas pra casa dele no final das sessões... não tenho nada aqui comigo que eu possa te mostrar.

E acabou ficando por isso mesmo...

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Segundo um estudo feita pela Universidade de Califórnia em 1984, "Paranóia é uma forma de hiper-sensibilidade ou consciência elevada. Os casos mais extremos dessa sensibilidade ocorrem entre músicos e poetas".

Ritchie - 06/04/2005 - extraído do site do Ritchie
Para mais informação, visite o site do João Donato, o site do Deodato e confira um artigo escrito pelo músico no site da Revista Piauí

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Eumir DeodatoThis odd cult item, originally released on Muse in 1973, is also known as Donato/Deodato — a reference to then-hot arranger Eumir Deodato's participation and, probably, the similarity in their surnames. With the exception of the kick-off tune - the insanely catchy and wonderfully funky “Whistle Stop” — it's a brief, strange trip that meanders aimlessly and rather too lifelessly.

Even the disc's notes admit as much. The prolific Brazilian keyboardist and arranger, whose many records never make it to the US (making this a follow-up of sorts to Donato's 1970 Blue Thumb release, A Bad Donato ), just wanted some cash so he could travel. He simply arrived at the studio, knocked out some tunes, suggested some musicians, collected his cash and left for vacation. So Deodato, another Brazilian keyboardist and arranger — whose dance-floor hit, “2001,” was riding high at the time - was brought in to finish the job.

An 11-piece group was pulled together and features nice spots for Randy Brecker on trumpet (particularly on “Nightripper”), Michael Gibson on trombone, the underrated Dud Bascomb on bass and Romeo Penque on flutes/whistles. Surprisingly, the higher-profile percussionists Ray Barretto and Airto make absolutely no impact here at all.

The idea seems to have been to approximate the grander, more expensive CTI sound. As you might expect, then, Joao Donato has more of Deodato's personality, awash as it is in the latter's signature blend of first-rate funk (”Whistle Stop”) and soapy TV movie sound-a-likes (”Where's J.D.?,” “Capricorn,” “You Can Go”).

Even though it's impossible to decide whether Donato or Deodato plays the occasional electric piano solo, the overall effect will appeal to those who gravitate toward electric mood music in somewhat Latin styles. However, “Whistle Stop” - despite whatever deficits in conception - is a true funk essential and a feather in the caps of Donato, Deodato and Ray Barretto.

Tracks:Whistle Stop; Where's J.D.?; Capricorn; Nightripper; You Can Go; Batuque.

Players:Airto: percussion; Ray Barretto: congas; Dud Bascomb: bass; Randy Brecker: trumpet; Deodato, João Donato: keyboards; Mauricio Einhorn: harmonica; Michael Gibson: trombone; Romeo Penque: flute and whistle; Bob Rose: guitar; Allan Schwartzberg: drums.

Douglas Payne - October 01, 1999 - extracted from AllAboutJazz
For more info, visit João Donato's site, Deodato's site and also check Discovering João Donato

4 comentários:

mvcosta disse...

João Donato e Eumir Deodato - "Donato/Deodato" (1973 - Muse MR 5017)

1. Whistle Stop
(João Donato / Eumir Deodato / Ray Barreto)

2. Where's J.D.?
(João Donato / Eumir Deodato)

3. Capricorn
(João Donato)

4. Nightripper
(João Donato)

5. You Can Go
(João Donato)

6. Batuque
(João Donato / Eumir Deodato)


João Donato: teclados
Eumir Deodato: teclados
Maurício Einhorn: gaita
Michael Gibson: trombone
Randy Brecker: trompete
Romeo Penque: flauta, assobio
Bob Rose: guitarra
Dud Bascomb Jr: baixo
Allan Schwartzberg: bateria
Ray Barreto: congas
Airto Moreira: percussão

arranjos e condução: Eumir Deodato
produzido por George Klabin

nino disse...

Que CD é esse, puto... Vc upô o q rolo o "assim falou zaratustra" do Deodato?

mvcosta disse...

Fala, rapá.
O do Deodato vou postar em breve.
Mas dá uma ouvida nesse aqui: http://br-instrumental.blogspot.com/2006/06/meireles-e-sua-orquestra-brasilian.html

J. Neto disse...

João Donato e Eumir Deodato - Donato/Deodato (1973)

http://www.mediafire.com/?ydyyglyjnkm

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