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Era uma madrugada morna, dessas típicas de janeiro. Estavam aqui em casa Badeco, Teresinha e um rapaz muito tímido de nome Maurício, com gaitas de todas as espécies, mas também com desculpas de todas as espécies para não usá-las.O papo transcorria alegre e banhado de música e uísque. Dado momento, a coisa realmente "engrenou". Baden mandou uma brasa firme no violão e Maurício desencabulou inteiramente. Eu pensei: Meu Deus, como gostaria de estar, agora, num estúdio e poder levar toda essa euforia ao público. Imediatamente telefonei a Wadi Gebara (apesar do adiantado da hora) e chamei-o para que participasse de tudo. Mal chegou, Wadi não pôde deixar de se contagiar. Trocamos algumas idéias e concluímos que o disco "A Volta de Baden", que há muito havíamos planejado, estava maduro, deveria entrar em estúdio logo, e pela experiência que havíamos tido, com a participação efetiva de Maurício Einhorn.
Na realidade, este disco tem de ser o grande esperado do público, pois representa o retorno de Baden aos estúdios, desde seu regresso de Paris, há dois anos. Embora ele tenha gravado em "shows" aqui e ali, ou como acompanhante, esse é, realmente, o seu primeiro disco em mais de dois anos, como solista. E por isso mesmo, para demonstrar toda a evolução pela qual passou, perpetuou de uma maneira definitiva temas conhecidos, como no caso de um "Vou por aí" ou "Consolação". Na realidade apenas não denominamos o LP de "A Volta de Baden" para não cair no lugar comum. Pensamos ainda em "Baden encontra Maurício", mas achamos finalmente que o mais plausível seria batizá-lo de "Tempo Feliz", pois esse é o tempo em que as músicas foram levadas e esse foi o nosso estado de espírito desde o momento em que decidimos tudo o que aqui está.
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O gaitista Maurício Einhorn é o convidado de honra e toca em quatro das oito faixas, todas gravadas entre os dias 24 e 25 de janeiro de 1966. O disco é uma grande jam session (confiram a edição revista e ampliada de "Consolação") com exposição dos temas e criação livre de Baden, Edison Lobo (baixo) e Chico Batera. Este, na época, justificando o apelido, mandava na bateria, mas depois especializou-se na percussão. Entram também a produção pós-Paris com Vinicius ("Deixa" e "Tempo feliz"), uma parceria com o produtor Aloysio de Oliveira "Vou por aí", além de "Apelo", a belíssima balada "Chuva" (Durval Ferreira / Pedro Camargo) e a valsa-jazz que trocadilha com o nome do selo, do produtor Roberto Quartin "Pro forma" (Maurício Einhorn / Arnaldo Costa).
Para mais informação, visite o site Brazil on Guitar . Baden Powell
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This classic 1966 Forma album, reissued on LP by Fontana in 1978 and on CD by PolyGram Brazil in 1990, brought Baden Powell's first recordings for his originals "Vou Por Aí" (with Aloysio de Oliveira), "Apelo," and "Deixa" (both with Vinícius de Moraes; other fruits of the fundamental partnership began in 1962). And there is more: the participation of underrated harmonica player Maurício Einhorn, who adds much to the program from the intro of the opening track, "Vou Por Aí," where unaccompanied guitar and harmonica perform with enchanting polyphony, building independent lines that allow room for the entrance of the rhythm section (no reference given in the album notes, but they are Chico Batera on drums and Edison Lobo on bass), following the exposition of the theme by the harmonica and solos by the two instrumentalists and the bassist. Next comes the classic "Apelo," with two choruses of guitar improv with very discreet references to the jazz idiom, focusing in a Brazilian language instead. The valse "A Chuva" brings with its melancholic overtones a very lyrical solo guitar rendition in the intro; soon it's joined by the harmonica solo and rhythm section. Samba bossa nova is the vehicle for swinging improvisation in "Deixa" and the long-winded "Consolação." Equally animated in the same style is "Sem Saber" (Otto Gonçalves Filho), while "Pro Forma" (Maurício Einhorn/Arnaldo Costa) brings for its 6/8 setting an Iberian atmosphere. The acalanto "Tempo Feliz" (Powell/Vinícius de Moraes), in its second recording by Powell (the first had been in the same year's live Baden Powell ao Vivo no Teatro Santa Rosa), closes the album with delicacy, with Powell alone at the guitar.----------------------------------------
There is the anecdote that Baden Powell was very drunk during the Tempo feliz sessions. It seems believable, because the film shots of Round Midnight prove to which precise playing and musicality he was capable of in such condition. It is said that the rather shy Baden Powell could only be more extrovert by drinking alcohol. This is very regrettable and he payed a high price, recording such an expressive, relaxed album like Tempo Feliz.
This can be seen in his commands, his rhythmic finger clicking and humming along to his musical ideas, which reminds of Keith Jarrett and was rather rare for Baden Powell. It is impressive with which tone, coordination and endurance he played in this jam session.
It is the only recording he did with the Brazilian harmonica player Mauricio Einhorn. Even though they play completely different instruments there were no boundaries between Mauricio and Baden, they were listening and responding to each other. It may seem unfortunate that this was their only recording but nothing remained unsaid. The record's grooves preserve their musical ideas and contain material for the following generations of guitarists and harmonica players. Tempo Feliz is one of the best records, that Baden Powell did in the sixties.

O Rio de Janeiro continua lindo. Este disco é mais uma prova. Mostra que a beleza do Rio não está somente na paisagem, nas praias, no carnaval. Tambem está nas valsas, antigas ou modernas, que os seus compositores criaram e que Baden Powell descreve com a linguagem mágica do seu violão. O Rio de Janeiro, estado de espírito, aqui revela sua face romântica. A Banerj Seguros, que desde o ano passado vem desenvolvendo um projeto cultural para homenagear a cidade e o estado em que teve origem, sente-se honrada em patrocinar esse trabalho do grande brasileiro Baden Powell – o primeiro que ele grava em nosso país, depois de tantos anos de sucesso na Europa.
A valsa, gênero de andamento rápido em sua origem vienense ou moderado na versão francesa, foi trazida ao Brasil pelos nobres da corte portuguesa. Manteve a sofisticação européia durante algum tempo em saraus de famílias, até adquirir nos subúrbios cariocas, por obra e graça dos conjuntos de choro, sua definitiva forma popular. Digamos, portanto, sem rodeios, que a valsa brasileira nasceu no Rio. E o violão, sucedendo ao piano, foi o instrumento que a depurou dos ornatos de elite. Agora, decorrido quase dois séculos de transformações, o gênero é documentado neste disco especialíssimo pelas mãos de Baden Powell – o maior violonista brasileiro contemporâneo.
Afastado da bebida - (hoje um grande consumidor de água mineral), sempre ao lado da grande companheira e apaixonada manager, Silvinha, mãe de seus dois filhos, Philipe e Paulo, nascidos em Paris, quando ali moravam, Baden trocou uma estabilidade econômica em Baden-Baden, onde residia, na República Federal da Alemanha, para retornar ao Brasil - "com um mercado mais difícil e uma casa que precisa ser arrumada", como diz, bem humorado, a respeito dos tempos bicudos que aproveitamos. Mas é que Baden Powell D'Aquino, fluminense do distrito de Varre-e-Sai, Município de Itaperuna, 51 anos - completados no dia 6 de agosto, é um brasileiro para quem a glória, os dólares e o sucesso internacional não se comparam a vivência do Brasil, "com todos os seus problemas".
An excellent Brazilian guitarist, Baden Powell has played with his share of American jazz greats (including Herbie Mann and the late Stan Getz). But there's no jazz to be found on Seresta Brasiliera (aka Rio das Valsas or Violão em Seresta), which was recorded for the Brazilian Caju Music label in 1988 and released in the U.S. on Milestone/Fantasy in 1994. The title Seresta Brasiliera translates to "Brazilian Serenade," and an unaccompanied Powell embraces the Brazilian serenade style on personal, introspective versions of Pixinguinha's "Rosa," as well as songs he wrote with his frequent partner, the late Vinicius de Moraes (including "Velho Amigo," "Canção do Amor Ausente" and "Serenata do Adeus"). A melancholy mood defines much of the CD, and Powell's playing is often as beautiful as it is sad and remorseful. Seresta Brasiliera is an album with little optimism and plenty of soul.
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