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24 novembro 2006

Moacir Santos - Opus 3 No.1 (1979)

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Este post foi possível graças ao Rodrigo Carvalho. Valeu, rapá! / This post was made possible by Rodrigo Carvalho. Thanks a lot, man!

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Moacir Santos - por Eugenio VieiraMoacir Santos é considerado pelos críticos e pesquisadores musicais como um dos principais arranjadores e compositores brasileiros, aquele que renovou a linguagem da harmonia no país.

Moacir Santos começou cedo sua história musical, se unindo à banda da sua Flores do Pajeú natal, em pleno sertão pernambucano, aos 14 anos, tocando saxofone, clarinete e trompete, entre outros instrumentos. Dois anos depois ele saiu pelo nordeste afora até 1943, quando arrumou um emprego na Rádio Clube de Recife.

Em 1945 foi para a Paraíba, onde tocou na banda da Polícia Militar e na jazz band da Rádio Tabajara como clarinetista e tenorista. Em 1948 ele mudou para o Rio de Janeiro, onde trabalhou na gafieira "Clube Brasil Danças" durante 18 anos como saxofonista, arranjador e maestro.

Moacir SantosOutro longo emprego que teve foi na Rádio Nacional, começando como tenorista da Orquestra do Maestro Chiquinho. Como fazia arranjos sem conhecer as regras, Santos se iniciou em teoria musical com Guerra Peixe e depois foi estudar com o grande musicólogo e compositor alemão Hans Joachim Koellreutter, de quem Santos depois se tornou assistente.

Durante essa década ele começou a dar aulas, mas foi nos sessenta que ficou famoso, sendo professor de grandes talentos, como Paulo Moura, Oscar Castro-Neves, Baden Powell, Maurício Einhorn, Sérgio Mendes, João Donato, Roberto Menescal, Dori Caymmi e Airto Moreira, entre outros.

Em 1951, ele foi convidado por Paulo Tapajós, diretor da Rádio Nacional para ser um maestro e arranjador do elenco, onde permaneceu até 1967. Em 1954, Santos foi para São Paulo onde dirigiu a orquestra da TV Record. Dois anos depois, ele voltou ao Rio de Janeiro, retomando seu trabalho na Rádio Nacional e se tornou regente na Copacabana Discos.

Com o prestígio alcançado no Brasil, Santos gravou em 1965 pela Forma, o seu primeiro álbum solo, "Coisas". Santos compôs trilhas sonoras para muitos filmes como "Love in the Pacific", "Seara Vermelha"(Rui Aversa), Ganga Zumba (Cacá Diegues), O Santo Médico (Sacha Gordine), e Os Fuzis (Ruy Guerra), entre outros.

Moacir Santos - por Eugenio VieiraEm 1967, ele deixou a Rádio Nacional e se mudou para os EUA, indo morar em Pasadena, onde ficou dando aulas de música até ser descoberto por Horace Silver. Em 1985, ele abriu junto com Radamés Gnattali, no Rio de Janeiro, o I Free Jazz Festival. Em 1996, ele condecorado pelo Presidente Fernando Henrique com a comenda da Ordem do Rio Branco. No mesmo ano, Santos foi homenageado no Brazilian Summer Festival em Los Angeles.

Seus arranjos originais para várias de suas composições foram transcritas por Mário Adnet e Zé Nogueira no álbum duplo "Ouro Negro"(2001), que teve as participações de Milton Nascimento, João Donato, Gilberto Gil, e do próprio Moacir Santos, entre outros.

Extraído do site Clube de Jazz

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Moacir SantosBrazilian arranger, composer and multi-instrumentalist Moacir Santos is best known for his talent for writing, but he first came to fame as a player. Born in rural Brazil (in Pernambuco), he moved around the country as a performer, having learned banjo, guitar and mandolin as well as some brass and reed instruments from playing in bands. He was known primarily as a sax player with an affection for Lester Young, Ben Webster and Coleman Hawkins. He worked in radio orchestras (serving a notable stint at the largest Brazilian station at the time, Radio Nacional) as well as military, ballroom and touring bands. Around this time, he began to gain recognition for his arranging and writing and began composing soundtracks for Brazilian films. His most famous work in this regard, however, is Amor no Pacifico (Love in the Pacific), and its success prompted him to travel to the U.S., debuting his music in New York City before eventually settling in Southern California (Pasadena, specifically). He taught from his home and was something of an "unknown" here until being "discovered" by Horace Silver.

Several of his compositions have resurfaced in the recent albums Ouro Negro and Choros & Alegria. The latter was his last album; the former features several arrangements by Mario Adnet and Ze Nogueira of Santos's "Coisas" ("Things"), which was the title and concept of his debut as a leader in 1965.

"I always had anxiety about producing music with the erudite cataloguing, like 'Opus 3, No. 1.' When Baden Powell came to study with me and invited me to participate in an album [...], the recording engineer asked me the name of the music, and I answered: 'It's that one thing...' That's when the idea to number the music occurred to me."

Extracted from the blog Song With Orange

07 novembro 2006

Moacir Santos - Carnival Of The Spirits (1975)

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Moacir SantosNo dia 26 de julho, Moacir Santos fez 80 anos. Um dia antes, seu disco "Choros & Alegria" foi um dos vencedores do Prêmio Tim de Música; uma semana antes fora agraciado com o Shell de Música - as duas mais importantes premiações da área. Aos 80 e morando em Los Angeles, costa Oeste dos EUA, há mais de 40, o pernambucano Moacir parece cada vez mais brasileiro e cada vez mais ativo - apesar do derrame que sofreu há cerca de dez anos que o impediu de seguir tocando saxofone. Maestro, compositor, arranjador, professor e saxofonista, atualmente anda envolvido, entre outras coisas, com a produção de um documentário sobre sua vida.

"A idéia é fazer uma mistura de making off do seu disco mais recente, "Choros & Alegria", com a história da vida dele. Já captamos muito, mas faltam ainda algumas coisas. Queremos levá-los nos lugares onde ele tocou na juventude, por exemplo", conta Mario Adnet, músico e produtor que nos últimos anos se dedica a recuperar a obra de Moacir. O documentário está aprovado na Lei Rouanet e deve ser finalizado até o ano que vem. Outra grande novidade - talvez a mais espetacular - é que Adnet e seu parceiro Zé Nogueira estão em negociações adiantadas para lançar finalmente no Brasil os discos que Moacir gravou nos anos 70 na conceituada gravadora de jazz Blue Note.

"Já fizemos uma reunião com o pessoal da Blue Note, em Nova York, e está tudo correndo bem. Só falta cuidar da parte burocrática. Esperamos conseguir fazer tudo ainda este ano", contou Adnet. Os três álbuns -"The Maestro", de 1972; "Saudade", de 1974; e "Carnival of the Spirits", de 1975- circulam entre colecionadores há tempos e são igualmente inspirados, trazendo Moacir Santos leve e jazzístico, mais do que em seu trabalho mais conhecido, o álbum "Coisas", único lançado no Brasil, em 1965.

"Coisas", lançado na época pela gravadora Forma e relançado em CD em 2004, foi um impacto na música da época, ainda que não tenha sido um sucesso comercial. "Quando o "Coisas" saiu, a turma dos músicos da bossa nova se reunia todo sábado só para ficar ouvindo o LP", conta Roberto Menescal, aluno de Moacir na época. Nara Leão, Baden Powell, Sérgio Mendes eram outros de seus alunos -e todos sempre correram em elogiar a genialidade do mestre, além de chamá-lo para seus discos. O músico também escreveu arranjos para o primeiro disco de Vinicius de Moraes - que aliás, o homenageia no famoso "Samba da Bênção": "Moacir Santos, tu que não é um só, é tantos".

Ronaldo Evangelista - 27/07/2006 - extraído do jornal Folha de São Paulo

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Moacir SantosOne of the main Brazilian arrangers, having renovated the country's harmonic language in the '50s, the underrated Moacir Santos had nevertheless a highly influential role as he had as his pupils, in the '60s: Paulo Moura, Oscar Castro-Neves, Baden Powell, Maurício Einhorn, Geraldo Vespar, Bola Sete, Sérgio Mendes, Dom Um Romão, João Donato, Roberto Menescal, Carlos Lyra, Dori Caymmi, Airto Moreira, and Flora Purim, among others. In 1968, he was admitted into Henry Mancini's cinema music writing team and, four years later, he launched his first album in the American market, The Maestro, which was nominated for a Grammy award; it was followed by Saudade (1974), Carnival of the Spirits (1975), and Opus 3, No. 1 (1979). Owner of a distinctive Brazilian style as a composer and arranger, Santos' most-known tunes are "Nanã" (written with Mário Teles), which had over 150 different recordings (including those by Herbie Mann and Kenny Burrell); and "Coisas" (number one to 12); not to mention a series of compositions with Vinicius de Moraes ("Triste de Quem," "Menino Travesso," "Se Você Disser Que Sim," "Lembre-Se"), who praised him in his "Samba da Benção." Having written the arrangements for, among others, Vinicius de Moraes e Odete Lara (1963), Santos also composed the soundtracks for the films Love in the Pacific, Seara Vermelha (an adaptation of Jorge Amado's novel, directed by R. Aversa), Ganga Zumba (Cacá Diegues), O Santo Médico (Sacha Gordine), and Os Fuzis (Ruy Guerra), among others.

Santos had contact with music very early in his life in the local band Flores do Pajeú (Pernambuco), taking classes with bandmaster Paixão and joining the group at 14 on the saxophone, clarinet, trumpet, banjo, guitar, and drums. Leaving home two years later, he played around northeastern Brazil until 1943, when he got a break at the Rádio Clube de Pernambuco. Having joined the Band of the Military Police of Paraíba in 1945, Santos replaced Severino Araújo (who had being invited to work in Rio de Janeiro) in the jazz band (a generic and common denomination at the time, not having to do with the repertory) of Rádio Tabajara da Paraíba, as a tenor/clarinetist. Two years later, he was appointed the conductor of the band and, in 1948, he moved to Rio de Janeiro, where his first job was at the gafieira Clube Brasil Danças, remaining there for 18 years as saxophonist and then as conductor/arranger. One month after his arrival in Rio he joined Rádio Nacional as a solo tenor of the Orquestra do Maestro Chiquinho, where he would work until 1967. Having studied under Hans Joachim Koellreutter's guidance, to whom Santos became an assistant, in 1951 he was invited by Rádio Nacional's A&R director, Paulo Tapajós, to be one of the regular conductors/arrangers of the cast.

In 1954, Santos went to São Paulo, where he directed the orchestra of TV Record. Two years later, he returned to Rio de Janeiro, resuming his work at Rádio Nacional, also becoming Ary Barroso's assistant in the A&R direction of the Rozemblit recording company, and conductor at Copacabana Discos. At the peak of the success in Brazil, Santos released in 1965 his first solo album, Coisas. In the same year, he wrote the soundtrack of the film Love in the Pacific, having been honored by the Brazilian government with the payment of travel expenses to be present at the debut in New York, NY. In 1966, he was appointed as a member of ASCAP and in the next year he left Rádio Nacional. Moving to the U.S., Santos settled in Pasadena where he gave music classes at home until he was discovered by Horace Silver. In 1985, he opened with Radamés Gnattali, in Rio de Janeiro, the I Free Jazz Festival. In 1996, he was decorated by the President of the Republic of Brazil as Oficial da Ordem do Rio Branco. In the same year, Santos was paid tribute at the Brazilian Summer Festival (Ford Theater, Los Angeles, CA). His original arrangements for several of his compositions were transcribed by Mário Adnet and Zé Nogueira and recorded on the double-CD Ouro Negro (2001), which had the participation of Milton Nascimento, João Bosco, Joyce, João Donato, Djavan, Gilberto Gil, Ed Motta, and Santos himself. The album was launched with a show at the João Caetano theater, which was presented again at the Free Jazz Festival of that year.

Alvaro Neder - extracted from All Music Guide

11 outubro 2006

Vários Artistas - Arranjadores (1992)

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Nelson AyresEste volume apresenta uma parte do projeto com o trabalho de 6 arranjadores com a Banda Savana e Orquestra Jazz Sinfônica.

Cipó [faixas 1 a 4] (Orlando Silva de Oliveira Costa): Instrumentista, arranjador e regente, nascido em Itapira-SP em 1922. Seu trabalho como arranjador tornou-se conhecido do grande público como regente da orquestra do programa Um Instante Maestro, de Flávio Cavalcanti, na TV Tupi, onde trabalhou 15 anos como diretor musical. Cipó foi depois para a TV Globo, como produtor musical.

Animou por diversos anos famosas gafieiras e estudantinas no Rio de Janeiro. Começou a estudar música aos 10 anos e logo foi tocando clarinete na banda de sua cidade.
Com 18 anos mudou-se para a capital e passou a tocar sax tenor na Orquestra Nicolino e Ferri. Tornou-se músico profissional complementando seus estudos com cursos de harmonia, regência e orquestração.

Gravou 4 LPs de Bossa Nova para o selo inglês London e um disco com o saxofonista Dizzy Gillespie, de quem sempre guardou a lembrança de rasgados elogios.

Cyro Pereira [faixa 9] (Círio Marín Pereira): Regente, compositor, arranjador e instrumentista, nascido em Rio Grande-RS em 1929. Tornou-se verbete obrigatório na MPB a partir de seus arranjos e direção musical de programas como o Fino da Bossa, Show do Dia 7 e de espetáculos de entrega do troféu Roquete Pinto.

Entre 66 e 78, Cyro recebeu diversos prêmios, principalmente no exterior. De 80 a 88, trabalhou como arranjador de peças publicitárias e a partir de 88 começa a lecionar na Unicamp. No ano seguinte é convidado para montar a Orquestra Jazz Sinfônica, da qual ainda é regente.

Cyro iniciou seus estudos aos 11 anos. Depois de trabalhar como pianista da Radio Record, em 52 fez seu primeiro arranjo para disco, o choro Pega Morena (Hervé Cordovil). O trabalho na Radio Record, onde ficou mais de 10 anos coroado com diversos prêmios como maestro, compositor e arranjador, foi consagrado com o convite para a direção musical dos principais programas da TV Record, emissora que se tornou campeã de audiência na década de 60.

Nelson Ayres [faixa 12] (Nelson Luiz Ayres de Almeida Freitas): Arranjador, instrumentista e regente, nascido em São Paulo em 1947. Ganhou um acordeon aos 7 anos. Estudou piano com o húngaro Paul Urbach. Nos anos 70 atuou na São Paulo Dixieland Band e formou-se em piano e orquestração na Berklee College of Music, em Boston-EUA, onde fundou o grupo Os Cinco, para acompanhar Astrud Gilberto.

Suas primeiras aparições como arranjador e orquestrador ocorreram em discos de Toquinho e Vinícius de Moraes, Chico Buarque, Edu Lobo, Paulinho Nogueira, Simone e Roberto Carlos, entre outros.

Destaca-se também como compositor de temas instrumentais. Nelson já compôs obras para a Orquestra Sinfônica de Campinas e Orquestra Experimental de Repertório. Gravou seu primeiro disco em 79, mesmo ano em que participou como organizador, solista e músico acompanhante do I Festival de Jazz de São Paulo. É fundador do consagrado grupo Pau Brasil, grupo de excursões regulares pela Europa e Japão com o qual já gravou, 3 discos.

Em 85, co-realizou o projeto Prisma, disco e show com César Camargo Mariano, que fez turnê de 2 anos pelo país, um recorde entre espetáculos instrumentais. Nos últimos anos, além de concertos solos e em duos, Nelson é visto à frente da Orquestra Jazz Sinfônica e com seu trio e convidados.

Moacir Santos [faixas 5 a 8]: Arranjador, saxofonista, regente e professor, nascido em Bom Nome-PE, em 1926. "What is new? Moacir Santos is new". Essas frases corriqueiras na década de 70 na Califórnia traduziam o reconhecimento do talento de Moacir Santos no mercado americano, sem exageros. Tinha prestígio no meio musical por reunir técnica e inspiração. Ele aprendeu a tocar participando da banda de sua cidade natal.

Cyro Pereira - por Ricardo MiglioriniFoi para o Rio de Janeiro em 1948 e logo se empregou no Brasil Danças, um dancing. Três meses depois entrou para a orquestra da Radio Nacional, primeiro como saxofonista, depois como maestro. Permaneceu nestas funções por 18 anos. Nesse período estudou teoria musical com o maestro Guerra-Peixe e com o professor Hans Joachim Koellreutter, tornando-se seu assistente.

Foi professor de Paulo Moura, Baden Powell, Nara Leão, Carlos Lyra, Nelson Gonçalves, entre outros. Com a trilha do filme Amor no Pacífico, recebeu do Itamarati uma passagem para os EUA, onde fixou residência. Morou em Pasadena, onde deu aulas e tocou, até ser descoberto pelo pianista Horace Silver. Gravou então seu primeiro disco naquele país, o LP The Maestro, em 1972, pelo selo Blue Note, que foi indicado para o prêmio Grammy. Participaram Joe Pass, David Dulke e Frank Rosolino. Seguiram-se outros 3 discos.

Em 1985, quando tocou no Brasil pela última vez, foi homenageado junto a Radamés Gnatalli no Free Jazz Festival, quando foi escolhido, em razão de uma enquete realizada junto aos profissionais no Rio de Janeiro.

Duda do Recife [faixa 10] (José Ursicino da Silva): Regente, compositor, arranjador e instrumentista, nascido em Goiana-PE, em 1935. É o representante da linha mais festiva e incendiária de nossos arranjos. Duda, além de arranjador, compôs choros, sambas, uma série de frevos e várias outras obras de frequência regular no repertório de bandas de todo o país.

Ele começou a estudar música aos 8 anos. Logo integrou a banda de sua cidade natal, onde interpretou Furacão, um frevo, sua primeira composição. Aos 15 anos mudou-se para o Recife. Integrou a Jazz Band Acadêmica e a Orquestra Paraguari, da Radio Jornal do Comércio.

Em 1953, já como regente e arranjador da Paraguari, classificou seu frevo Homenagem à Princesa Izabel em segundo lugar, no Festival de Música Carnavalesca. Nesse ano assumiu a direção do departamento musical da TV Jornal do Comércio. Na década de 60 fez cursos de música sacra e regência, compôs para peças teatrais e integrou a Orquestra Sinfônica de Recife (tocando oboé e corne-inglês), até formar sua própria orquestra para incendiar salões, que foi eleita várias vezes como a melhor do ano.

José Roberto Branco [faixa 11]: Instrumentista, regente e compositor, nascido em Pederneiras-SP, em 1938. O Maestro Branco estava fazendo o curso de prática e teoria musical quando foi contratado, em 1968, como arranjador, pela casa O Beco, em São Paulo. O lugar foi ponto de encontro dos mais criativos compositores da MPB.

Duda do RecifeParalelamente, desenvolveu um trabalho de pesquisa sobre a música folclórica dos indígenas, dos jesuítas e das raízes afro, que se estendeu até 1984. De 1975 a 1978, atuou como maestro, coordenador e arranjador em diversos programas da TV Tupi. Também teve participação instrumental e na elaboração dos arranjos em vários discos, trilhas sonoras e jingles. Em 1985 assumiu a direção da orquestra do Festival dos Festivais, na TV Globo.

Esteve no início de 1992 nos EUA onde, a convite de bandas locais, realizou diversos arranjos. Gravou 2 discos com a Banda Savana, da qual foi o criador.

O projeto Memória Brasileira apresenta os arranjadores como principais figuras do espetáculo. Obras inéditas ou de rara execução finalmente são mostradas em público, com o merecido destaque, a maioria delas regida e executada pelos próprios criadores. Nossa tradição orquestral é reapreciada, estimulando o início de um processo de reaproveitamento real de nossos músicos. Mais de 200 instrumentistas executam cerca de 50 peças de 18 arranjadores em seis etapas. Compõe-se um painel de quase sete décadas de nossa produção musical, das orquestras de cinema mudo às novas formações que incluem até sintetizadores. Entre essas e tantas outras considerações, a série Arranjadores foi criada para oferecer ao público a verdadeira música brasileira.

Arranjadores foi pensada também como mostra de pesquisa de obras do passado e do presente. Como não poderia deixar de ser, a idéia cresceu e passou a refletir nossa riqueza musical. Arranjadores dá ao público a oportunidade de conferir o papel desse profissional. Um papel tão importante que sua tarefa pode ser confundida com a do compositor. Não surpreende que os grandes arranjadores sejam também grandes compositores, como foi o próprio Radamés Gnatalli, Pixinguinha, Moacir Santos, Maestro Branco e tantos outros. Esta série torna possível a observação de sua criatividade como ítem decisivo na evolução da MPB. Mostrar os mais variados estilos foi o que norteou a seleção.

Extraído do site Café Music
Para mais informação, visite o site do Projeto Memória Brasileira

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Moacir Santos - by Agliberto LimaThe Projeto Memória Brasileira (Brazilian Memory Project) was founded in 1987 by the researcher and producer Myriam Taubkin together with the pianist Benjamim Taubkin and also Morris Picciotto. The project's intention consists on the documentation and registration of the history of Brazilian instrumental music.

The first project of the series was put on in the same year the BMP was founded. It was dedicated to the pianists and entitled "Memories of the Brazilian Piano". So far, they have put out the following projects, each one consisting of a CD, a book, and, the newest ones, a DVD: "Guitars of Brazil" (1989), "Arrangers" (1992), "Brazilian Violeiros" (1997), "Brazilian Percussionists" (1999), "Brasil of the Accordion" (2002), and "A Brazilian Wind" (2004).

For more info, visit Projeto Memória Brasileira

01 abril 2006

Moacir Santos - The Maestro (1972)

Capa brasileira / Brazilian cover

Clique aqui para baixar o disco/Download the album - Mediafire . enviado por J. Neto

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Moacir Santos . foto de Guto CostaO maestro, arranjador, instrumentista, compositor pernambucano Moacir Santos foi professor de Nara Leão, Baden Powell, Paulo Moura, Eumir Deodato, Airto Moreira, entre outros. Compôs, com Vinicius de Moraes, clássicos como "Triste de Quem", "Lembre-se" e "Se Você Disser Que Sim".

É pouco para que seja conhecido no Brasil, naturalmente, a não ser pelos ouvintes atentos do "Samba da Bênção" (1962), de Baden Powell e Vinicius de Moraes, que diz: "A bênção, maestro Moacir Santos/Que não és um só, és tantos/ como o meu Brasil de todos os santos(...)". És tantos, mas para poucos, num país onde santos de casa não são muitos....

Seu talento foi reconhecido - coincidência! - quando ele fixou residência fora do Brasil, em 1967, depois de uma brilhante carreira de 18 anos, como arranjador e regente da rádio Nacional, no Rio de Janeiro, e passou a lecionar música na Califórnia.

"Estava ficando difícil viver aqui. Cheguei a pensar em colocar meu carro na praça", lembra Santos, que nos primeiros tempos ganhou a vida tocando piano numa igreja batista, em Los Angeles. Também trabalhou como "músico fantasma", fazendo arranjos para filmes de Hollywood, sem receber créditos.

Um belo dia, foi "descoberto" pelo pianista de jazz Horace Silver, que o conhecera na casa do pianista Sérgio Mendes, e começou a gravar para o mercado norte-americano. Fez grandes discos pela Blue Note e pela Discovery, como "The Maestro" (1972 - indicado para o Prêmio Grammy), "Saudade" (1973) e "Carnaval dos Espíritos" (1975), hoje todos fora de catálogo.

O maestro voltou a ser notícia nos meios musicais brasileiros com o lançamento do CD duplo "Ouro Negro", com 28 faixas, no qual mostra toda sua inventividade e atualidade.

Adaptação do texto do site Free Jazz Festival

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Capa original / Original cover

The musical syncretism of Moacir Santos

Born in 1926, in the northeastern state of Pernambuco, the multi-instrumentalist/composer/arranger Moacir José dos Santos (better known as Moacir Santos) had already mastered various brass, string and percussion instruments by the age of 14. In 1948, he moved to Rio and initially worked as a saxophonist at Radio Nacional (Brazil's largest radio network), where he rose to the ranks of arranger and conductor in the following two decades, while expanding his knowledge by studying with the maestro Guerra-Peixe and other prominent music professors.

Moacir SantosIn 1967, Santos left a solid career in his native country and moved to Southern California, where he recorded various phenomenal albums as a leader for the Blue Note label in the 1970s. Although he is regarded by the undersigned writer as one of the most innovative Brazilian jazz artists of all time, the author of Nana did not receive the recognition that he truly deserves until the year 2001, when the remarkable double CD Ouro Negro (Black Gold) was recorded in Rio, under the leadership of saxophonist Zé Nogueira and guitarist Mario Adnet, whose all-star team reproduced Santos' original arrangements, as written for the 28 instrumental pieces picked for the album. Compatible lyrics (penned by Ney Lopes) were added to some of the instrumental numbers, using some of the top Brazilian singers of our times (Milton Nascimento, Djavan, Joao Bosco, Gilberto Gil). In order to ensure the authenticity of the proceedings, Santos supervised the recording sessions, while contributing a few vocals, here and there.

The following conversation was entirely conducted in portuñol--a mixture of Portuguese and Spanish--in the Pasadena abode of the legendary octogenarian whose personal fusion of U.S. jazz and Brazilian rhythms predates the bossa nova, and whose numerous pupils include the likes of Paulo Moura, Roberto Menescal, Sergio Mendes, Nara Leao, Baden Powell, Flora Purim and Airto Moreira.

LUIS TAMARGO: There is a controversy about your Birthplace. Some say that you were born in Serra Talhada. Others identify your place of birth as Flores.

MOACIR SANTOS: I was born in a hacienda located within the jurisdiction of a city called Serra Talhada. About eight years ago, a festival was organized in homage to my musical work at a military club in Recife's marina, where I was asked in public to identify my place of birth, before an audience that included many natives of both Flores and Serra Talhada. In order to satisfy everyone, I had to come up with a Salomonic response:

"I was born in Serra Talhada, but I opened my eyes in Flores" (LAUGHTER) I was only about three years old when I moved to Flores.

LT: Which is your favorite instrument?

MS: The saxophone, in all of its variations--soprano, alto, tenor, and baritone ...

LT: How many versions of Nana have been recorded?

MS: About 157. A reliable source once mentioned: "Moacir, you should be rich today, based on the earnings from Nana alone."

LT: But I don't see a Rolls Royce parked on your driveway (LAUGHTER).

MS: This sort of swindling happens quite often, particularly in Brazil, and it has affected a number of my compositions.

LT.: Your 1970s Blue Note albums were truly ahead of their time. I recall that your arrangements employed the bassoon and other symphonic instruments that were rarely utilized in jazz at that time.

MS: As the former orchestral conductor of Rio's Radio Nacional network (which apparently wanted to compete with London's BBC) for about twenty years, I had the good fortune of utilizing every instrument at my disposal, from bassoon and French horn to cavaquinho and pandeiro, in order to perform all types of music on a daily basis, from 10 a.m. to 10 p.m.

LT: You wrote quite a few soundtracks, but I suspect that Amor do Pacifico was the most exuberant one.

MS: It involved 75 musicians, back in 1964 or 1965, and it was fihned somewhere in the South Pacific. I was present at its U.S. premiere, where everyone was impressed by the soundtrack. The rest is history ...

Discography
1. Coisas (Forma, 1965)
2. Opus 3 No. 1 (Discovery, 1968)
3. The Maestro (Blue Note, 1972)
4. Saudade (Blue Note, 1974)
5. Carnival of the Spirits (Blue Note, 1975)
6. Ouro Negro (MP,B, 2001)
7. Choros e Alegrias (Biscoito Fino, 2005)

Latin Beat Magazine, August, 2004 by Luis Tamargo

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Moacir Santos-(bariton sax,vocal); Oscar Brashear-(trumpet); Frank Rosolino-(trombone); David Duke-(french horn); Ray Pizzi-(alto, soprano); Don Menza-(tenor, flute); Hymie Lewak-(piano); Clare Fischer-(organ) Bill Henderson(electric piano); Joe Pass-(guitar); John Heard-(bass); Shiela Wilkinson-(vocal) Recorded at A&M Studio, L.A., September 29 & October 18, 1972. Joe plays on 5 & 6.

03 março 2006

Moacir Santos - Coisas (1965)

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Moacir SantosO crítico Hugo Sukman, em O Globo, achou o título perfeito para seu artigo: De volta às melhores Coisas da vida. Coisas é o disco do compositor, arranjador, maestro e instrumentista Moacir Santos, de 1965 – dez faixas intituladas simplesmente Coisas (numeradas de 1 a 10, mas fora de ordem), embora algumas tenham recebido letra e títulos com que circularam fora do disco (Coisa n.º 5, por exemplo, ficou conhecida no mundo profano como Nanã e, por muitos anos, rendeu um providencial dinheiro a seu letrista Mario Telles).

Coisas só agora volta ao lugar de onde nunca deveria ter ficado ausente: as prateleiras das lojas. E volta com uma força, uma originalidade e uma beleza que, se se disser que foi gravado ontem, ninguém terá razão para duvidar. Mas é claro que ele vem de outros tempos, de outro mundo, outro país – um país também chamado Brasil, mas onde havia uma indústria, dita fonográfica, que estranhamente trabalhava com música.

Esses 39 anos de sumiço dizem muito sobre as cabeças que presidem nossas gravadoras. Coisas foi produzido originalmente pela Forma, o pequeno e corajoso selo que o produtor carioca Roberto Quartin conseguiu sustentar durante três anos na década de 60. A Forma era uma espécie de Elenco, só que ainda mais atrevida e experimental. Vencido pelo mercado, Quartin vendeu as matrizes de seu catálogo (18 formidáveis LPs) para a então Philips, que depois se tornou a Polygram e hoje é a Universal. A poderosa compradora contentou-se em ser apenas a dona da Forma: sentou-se em cima, não fez nada com os discos e, até outro dia, não deixou que ninguém fizesse. O próprio Quartin levou as décadas seguintes tentando convencê-la a repor em circulação o catálogo completo, do qual Coisas era a jóia da coroa – sem sucesso. Quartin morreu em abril último, amargurado porque seu grande disco afinal iria sair, mas isoladamente e por iniciativa de outro selo, o MP,B, sem a sua participação. Triste para Quartin, que devia ter seus motivos para ser um homem difícil – mas, pelo menos, Coisas aí está.

Foi o último e o melhor disco de “samba-jazz” feito no Brasil daquela época: uma obra-prima de música instrumental, com raízes ardentemente brasileiras e uma certa tintura jungle, ellingtoniana, que parece brotar dessas mesmas raízes. Seria fácil dizer que, em tais raízes, está a música ancestral negra. E deve estar mesmo – mas não só: Moacir era e é um músico completo, que se abeberou de toda a tradição clássica européia, apenas fazendo-a curvar-se à sua orgulhosa negritude. (Foi o primeiro maestro negro da Rádio Nacional, furando a hegemonia – benigna – dos mestres Radamés Gnatalli, Leo Peracchi e Lyrio Panicalli.) E Coisas é o epítome da sofisticação e da modernidade que impregnavam alguns criadores daquela fase, empenhados em buscar nos ritmos populares do Nordeste e dos morros do Rio as bases para uma revitalização da música brasileira. Coisa n.º 6, por exemplo, que soa como um baião de quermesse, tornou-se Dia de Festa ao ganhar letra de Geraldo Vandré e foi gravado pelo mesmo Vandré. Nas outras faixas, misturados a improvisações jazzísticas, riffs e ataques de big band, há ecos de xaxado, coco e maracutu.

Mas, alto lá: com Moacir (assim como em Baden Powell), não tinha essa demagogia de recolher folclore – a música saída “do povo” era apenas uma plataforma para toda espécie de pesquisa melódica, harmônica ou rítmica. A prova está logo de saída, na primeira faixa (Coisa n.º 4), em que o sax-barítono e o trombone-baixo começam uma marcação pesada e repetitiva que se estende por todo o número e, em contexto mais “primitivo”, talvez fosse feita por tambores. Era a África, sem dúvida, mas filtrada pelo Beco das Garrafas, em Copacabana – por mais que isso fosse perigoso politicamente. O texto de capa do LP original, escrito por Quartin e reproduzido no encarte do CD, sentia a necessidade de enfatizar que Moacir Santos não era um músico "de direita" ou "de esquerda", mas apenas um músico, e a música desconhece a política. Era uma preocupação vigente e, hoje, pode parecer primária ou irrelevante. Mas só quem viveu o clima daquele tempo, com o Brasil ainda no começo da ditadura, consegue avaliar a intensidade da patrulha (exigiam-se "tomadas de posição") e o sentimento de culpa que se apossava dos músicos voltados somente para a arte, estigmatizados por não fazerem de cada acorde um comício.

Pois aconteceu que Moacir Santos, despolitizado como era, também teve de marchar para uma espécie de auto-exílio nos Estados Unidos. Não porque fosse “alienado” ou “participante”, mas pela brusca mudança de rumos na música brasileira a partir do iê-iê-iê, que liquidou com a possibilidade de sobrevivência no Brasil de artistas como ele. A passagem de 1965 para 1966 marcou esse corte – porque, nos três anos anteriores, o próprio Moacir nunca trabalhara tanto e estivera presente, como arranjador ou compositor, em alguns dos melhores discos lançados no país. Apenas em 1963 eram dele os arranjos de Vinicius & Odette Lara, que foi o LP n.º 1 da Elenco; de pelo menos uma faixa (Nanã, em vocalise) de Nara, o disco de estréia de Nara Leão, também na Elenco; de várias faixas de Baden Powell Swings With Jimmy Pratt, idem Elenco, em que Baden toca as Coisas n.º 1 e n.º 2; e de todos os arranjos de Elizete Interpreta Vinicius, lançado pela Copacabana, com quatro de suas canções que levaram letra de Vinicius, entre as quais Se Você Disser Que Sim e Menino Travesso, e com o seu nome em destaque na capa.

Em 1964, Moacir assinou arranjos de Você Ainda Não Ouviu Nada – pelo menos, os de Nanã e Coisa n.º 2 –, o disco de Sergio Mendes & Bossa Rio na Philips que muitos, então, consideraram o melhor do gênero feito no Brasil. Mas, no mesmo ano, esse disco seria superado pelo sensacional Edison Machado É Samba Novo, na CBS, com quatro de seus temas (Se Você Disser Que Sim, Coisa n.º 1, Menino Travesso e o já onipresente Nanã) no repertório e Moacir impregnando todo o disco com o som cheio e noturno de seus arranjos, mesmo nos de autoria do saxofonista J.T. Meirelles. O Brasil era tão outro país que permitia que uma cantora quase desconhecida – Luiza, 22 anos, professora do Colégio São Paulo, em Ipanema –, ao estrear em disco na RCA Victor, tivesse o solicitadíssimo Moacir como arranjador. (O LP, Luiza, não aconteceu, e a excelente cantora, pelo visto, encerrou ali a carreira. Mas é outro legítimo Moacir Santos, à espera de que o relancem em CD.) Nos intervalos, Moacir compôs também a música para filmes com que o cinema brasileiro (“novo” ou não) tentava atingir a maioridade: Seara Vermelha, do italiano Alberto D’Aversa (1963), e Ganga Zumba, de Carlos Diegues, Os Fuzis, de Ruy Guerra, e O Beijo, de Flavio Tambellini, todos de 1964, nos quais nasceram várias Coisas. Tudo isto, na verdade, era uma preparação para o Coisas propriamente dito – que, ao ser finalmente lançado, em 1965, logo teria de enfrentar uma atmosfera adversa à sua proposta. A Forma afundou, o disco desapareceu e, pelas quatro décadas seguintes, o LP só reapareceria ocasionalmente nos sebos – até também sumir deles e se tornar uma preciosidade de US$ 200 no mercado internacional.

O que aconteceria se a lição de Coisas (e de outros discos de seu estilo) tivesse sido disseminada em 1965? Tudo é especulação, mas é provável que a música instrumental moderna brasileira não conhecesse a penúria que atravessou nas décadas seguintes. O próprio Coisas era uma continuação das experiências nos discos menos dançantes das orquestras de Severino Araújo e Zaccarias, escolados nas gafieiras cariocas dos anos 40 e 50. Deve-se citar também o desaparecimento das orquestras de rádio, TV, boates e as das próprias gravadoras como fator decisivo para o declínio da música instrumental no Brasil – porque foram elas que permitiram a existência de um disco como Coisas. Para Moacir Santos, com 40 anos em 1966, só restava ir embora. E ele foi – para Los Angeles, onde já está há 38 anos.

A volta do disco pode completar a redescoberta brasileira de Moacir, iniciada em 2001 com o lançamento de Ouro Negro pelos mesmos produtores da nova edição de Coisas: Mario Adnet e Zé Nogueira. Ouro Negro era espetacular – mas Coisas é o produto original, com Moacir em pessoa, não apenas de caneta e batuta na mão, mas armado de seu possante sax-barítono. Hoje, aos 78, Moacir não pode mais tocar, por problemas de saúde, mas a mão que compõe e arranja é a mesma de há 40 anos.

Ruy Castro

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Moacir SantosCults of rediscovered artists grow quickly and sometimes without much warning; in the 1990s, they have sprouted so rapidly that among the reissues there has hardly been room to appreciate a new young player with something to say. (Who needs Luciana Souza, whose context and range of interests are perhaps not worn on her sleeve, when you’ve got Phil Ranelin, frozen in time, a perfect snapshot of 1970s black consciousness? Or something like that.)

So I am surprised that there isn’t much of a cult around the Brazilian jazz composer and arranger Moacir Santos. Born poor in the northeastern state of Pernambuco, Santos became an itinerant musician, playing around other states in the north, Bahia and Ceará. Toward the end of the 1940s, he moved to Rio de Janeiro, to work in the studios of Rádio Nacional, where staff arrangers were needed. But he saw that popular music was art and vice versa, and he studied the big-band composers as well as took lessons with Joachim Koelreutter, the Austrian composer who was lured to Brazil in the 1950s during the age of modernism and taught a whole generation of Brazilian music makers.

I’ve found little information about what Santos was listening to around the time he made “Coisas”, which was the period right before he moved to Los Angeles (where he still lives) to teach and work on film sound tracks. But it sounds like it was a mixture of two influences: the brass-conscious arrangers who were confortable with West Coast jazz as well as samba – say, Bob Brookmeyer or Gary McFarland – and the new, small-group arrangements heard on so many Blue Note albums of the time, the spacious, intriguing-instrumentation sound of Eric Dolphy’s “Out to Lunch”, say. (If you administered a blindfold test, you’d have people guessing that the vibraphonist on “Coisa No. 2,” Claudio das Neves, was Bobby Hutcherson – it’s the way the dry, clanky chords are deployed in the arrangement.) He was attuned to American currents; he also sensed what was in the air.

The tracks are simply called “Coisas” (“Things”) and numbered one through ten; for some reason, they’re presented out of order. On each track, it’s the structure and timbre that first seizes you: it doesn’t sound based in a genre. The melody of “Coisa No. 1” is carried by baritone saxophone, with sparse counterpoint from muted trumpet and trombone; the rhythm section is a samba setup, with big and small animal-skin drums and an acoustic guitar. The bass lines are minimal, mostly there to help accent the bass drum.

Then it’s the melodies, which are concise, bold things, moving through very nonobvious chord choices. “Coisa No. 5” shows that his gift for concision and piquancy was not unlike Wayne Shorter’s. How the music unfolds! At first it comes on strong, with tuba accenting a military-sounding waltz; then, after the introduction, the song changes to a more flowing six-eight, with trombone taking the melody, tuba and guitar giving counterpoint. In the second chorus, after the trombone, a flute improvisation takes over until the bridge (juxtaposition was Santos’s stock-in-trade), and then Luiz Bezerra’s Getz-like tenor saxophone takes over.

The next song, hinging on a two-chord figure and recorded simply with piano and hand drums, at first sounds like one of Ellington’s stripped-down miniatures from his 1953 “Piano Reflections”. The fuller band does eventually slide in, with vibraphone and a brass section, again with those spare Afro-Brazilian drums. (That there are very few cymbals on this album is a constant source of wonder for American ears attuned to jazz drumming.) The weight and density of the music changes from track to track; there’s an organ (uncredited, and probably played by Santos) on numbers six and ten; there’s a small string section on number eight. Different soloists come to light; you don’t hear all soloists play what they know on each track.

“Coisa No. 5”, otherwise known as “Nanã”, was picked up by the circle of jazz and MPB (Música Popular Brasileira, or Brazilian pop) composers in Santos’s orbit and turned into a hit; more than one hundred versions have been recorded, most of them using lyrics written by Mario Telles. Even before “Coisas” was released in 1965, “Nanã” was recorded by the important Brazilian jazz and pop bands of the day: Os Cobras, Edison Machado’s ensemble, and Mario Castro-Neves’s, too.

Santos did, in fact, record in the States; he made three albums for Blue Note in the 1970s. But they are long deleted, and even in Japan, the land where jazz reissues are plentiful, there’s little interest in rereleasing them.

So there you have it: a foreign jazz arranger with an exploratory and musically sound mid-sixties bent; associations with the loungey Bossa Nova figures (Castro-Neves, Carlos Lyra, Roberto Menescal, Baden Powell); black-genius stature; obscurity. Why is this man not famous? And why is this CD still unavailable?

Ben Ratliff - extracted from The New York Times Essential Library: Jazz A Critic’s Guide to the 100 Most Important Recordings (Times Books, Henry Holt and Company. New York, 2002)
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