27 abril 2009

Marvio Ciribelli - Theo e Seu Tio (2001)

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Marvio CiribelliEm "Theo e seu Tio", Marvio Ciribelli viaja pelos ritmos brasileiros. Do samba ao frevo, do baião ao choro e a bossa nova, Marvio também apresenta misturas pouco usuais, o sambaião, o xote-blues e o samba-tango. O destaque do CD é a qualidade das composições, solos e arranjos, criados por Marvio Ciribelli (piano e órgão Hammond), Marcio Bahia (bateria e percussão), Dudu Lima (contrabaixo) e Paulo Williams (trombone).

Marcio Bahia, há quase 25 anos, é o baterista do grupo que acompanha Hermeto Pascoal, sendo considerado pela crítica internacional, um dos melhores bateristas do mundo, na atualidade. Marcio também tocou com Maria Bethânia, Roberto Menescal, Wanda Sá, Marcos Valle e Dino Rangel, Zélia Duncan e Hamilton de Hollanda. Dudu Lima, contrabaixista de Juiz de Fora – MG, já tem 2 CDs lançados pela Mantra: Regina (2000) e Nossa História (2004). Dudu destacou-se no Búzios Jazz & Blues Festival tocando ao lado do famoso guitarrista norte-americano Stanley Jordan e até hoje, faz parte do grupo que o acompanha quando vem ao Brasil. Paulo Williams vem de São Gonçalo – RJ, e toca com Marvio há 16 anos. Acompanhou muitos artistas brasileiros como Alcione, Elba Ramalho, Cidade Negra, Tim Maia, Kid Abelha, João Penca e Sandra de Sá, além dos estrangeiros Julio Iglesias e Chris Montez.

Vários convidados valorizam o trabalho do quarteto. Rogério Fernandes, que toca com Marvio há 17 anos, também é de Niterói – RJ, e participa da faixa Campeão (homenagem a Hermeto Pascoal) tocando baixo elétrico fretless, sua especialidade. Rogério participou da produção e da mixagem do CD e já tocou com artistas como Antonio Adolfo, Sueli Costa, Nilze Carvalho, Claudio e Cristina Latini, Nelson Gonçalves, Áurea Regina, Glória Lattinni, Zé Netto e os grupos Maite-Tchu e Vozes. O saxofonista Tino Jr. se destaca na música Sambaião, de Marvio, Dudu e Bahia e também no baião Campeão. Marcelo Martins, saxofonista que tocou com Djavan, se destaca em Subindo a Serra e Piratininga, sambas de concepção moderna do baterista Marcio Bahia; o trompetista Henrique Manso Jr, neto do Maestro Pedro Motta (da Orquestra do Instituto Abel, em Niterói – RJ), primeiro professor de Marvio Ciribelli, também se destaca em Piratininga; Marvio Ciribelli escreveu vários naipes de trombone, realizados por Johnson de Almeida e pelo próprio Paulo Williams; Ronaldo do Bandolim, dos grupos Época de Ouro e Trio Madeira Brasil, é o solista da faixa "Fazendo o que Gosta", também parceria do trio Marvio, Dudu e Bahia, música que, mais tarde, cedeu o nome para o Projeto realizado no Bar Orquídea.

O repertório do CD também conta com o choro Theo e seu Tio, composição de Marvio em homenagem ao seu sobrinho, música que destaca o baixista Dudu Lima. O Xote Blues, Orx Samba, o baião Feiticeira, o samba-tango Luz de Velas, o samba canção Simone são as outras composições de Marvio presentes no disco. Novidade também é o arranjo de Marvio (de quase nove minutos) para o Choro O Corta Jaca, de Chiquinha Gonzaga, com um incrível solo de bateria feito por Marcio Bahia.


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Marvio CiribelliBrazilian jazz musician Marvio Ciribelli studied music composition with Armando Quezada and classical piano with Aurélio Silveira. Later on, he studied with the piano players and composers Antônio Adolfo, Luizinho Eça, and Ian Guest. Among the influential Brazilian musicians he has worked with, it can be mentioned, are Alex Malheiros (Azymuth), Altay Veloso, and Vanessa Rangel. Having recorded a special for the Canadian TV with Maria Eugênia, Ciribelli also has performed internationally. In Brazil, he played for 5,000 people at the Parque da Catacumba (Rio de Janeiro) in 1989, and participated in several jazz festivals like the Vitória Jazz Festival (Espírito Santo, 1994) and the Maceió Festival (Alagoas, 1995, where Ciribelli coordinated workshops presided by Florida University teachers). He also played at the Montreux Jazz Festival (Switzerland) in 1993 and 1994. Toward the end of 1995, he participated in a special concert for Princess Sayako of Japan. As a member of the International Association of Jazz Educators/IAJE, Ciribelli has been teaching workshops on piano and Brazilian music for students and professional musicians worldwide. He also has writen songs in collaboration with Marcos Valle, Alex Malheiros, Luiz Eça, Ian Guest, and Dom Chacal.

Alvaro Neder - extracted from All Music Guide
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M. Takara - Conta (2007)

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Maurício TakaraReza o Tao, de Lao Tsé-Tung, que "procurando sem enxergar, diz-se que é escuro; escutando sem ouvir, diz-se que é fraco; tateando sem tocar, diz-se que é sutil." E sutil é a música de m.takara em seu terceiro álbum, "conta", primeiro lançamento do selo Desmonta.

Maurício Takara é o filho mais novo de uma família de notáveis. Seu irmão mais velho é Daniel Ganjaman, músico e produtor; Fernando, o do meio, trabalha como baixista do CPM 22, entre outras atividades. Takara, apesar de novo, já tocou com uma pá de almas, desde sua banda de adolescência Hurtmold até o projeto com Rob Mazurek, sp underground, passando pela entidade Otto e pelo espectro multi-espiritual coletivo Instituto.

Mas não é isso o que impressiona neste paulistano de Pinheiros: ele, apesar de novo, já tem uma história sólida com o seu projeto m.takara, uma linguagem musical reconhecível, um estilo definido.

E é aqui que começam os meus problemas: como definir o estilo de m.takara? Desafio qualquer leitor que o faça. Muitos já tentaram e não foram felizes. É, de fato, difícil que um punhado de palavras sintetize o seu trabalho musical. Takara aproxima-se dos gêneros - do rock, do jazz, do minimalismo eletrônico - sem, todavia, incorporá-los de todo ao seu som.

O seu estilo parece não sustentar estilo algum. Ou melhor, pela tangente destes estilos, parece aparecer outro, um novo. O autor de uma das resenhas sobre o disco bem que tenta defini-lo, provoca a "crítica especializada", cita referências (que vai da rua até o cinema), mas tampouco logra alguma pista. Procurando sem enxergar, diz-se que é escuro.

Talvez por estar cansado de ouvir sempre a mesma pergunta - "como você define o seu som?" - o artista nos dá uma chance ao dizer que faz "música de livre associação". E o que Takara nos conta, nas entrelinhas, ao afirmar isso? Que a livre associação refere-se mais à maneira de ouvir, do que propriamente ao seu modo de produzir. É o seu jeito elegante de dizer que o rótulo pouco importa, que não percamos tempo em tentar decodificar o que sai de sua experimentação. Que se escute sem se preocupar com as definições. Escutar sem ouvir, afinal, diz-se que é fraco!

"conta", se não é o mais radical de seus discos, é, sem dúvida alguma, o melhor produzido. Se alguém o interpretou como acessível, quis dar um boi ao pop. E não é o caso aqui ser pop ou não: a música é boa, bem produzida e isso transcende qualquer gênero. Há ao longo do disco, por certo, repetições rítmicas e melódicas, uma insinuação de padrões e de ordem. Mas está lá, intacto, o 'processo m.takara': a experimentação, a soma dos sons, as camadas de ruídos, a combinação caótica de timbres e de construções harmônicas (timbres e harmonias que, por vezes, lembram o projeto-primo Prefuse 73). Qualquer nuance de ordem é delicadamente esbarrada pelo caos, o senhor absoluto deste processo.

E, como sabemos, o caos só faz sentido enquanto não parece ordem. O apuro e o detalhamento com que o disco foi tratado só enriquecem a escuta. Ao largo de qualquer definição, m.takara nos apresenta uma música poderosa, caótica, livre, sem tentar encapsulá-la em algum gênero. Tateia os sons sem os tocar. Diz-se, de um sujeito assim, ser sutil.

Rodrigo Silveira - 09/03/2007 - extraído do site Terra Magazine
Para mais informação, visite o site do M. Takara

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Maurício TakaraMauricio Takara has been involved within the Brazilian music scene for many years, predominately on drums and percussion, but also as an electronic programmer, and occasionally on trumpet. He's collaborated with a vast range of local and worldly artists, such as: Otto, Damo Suzuki, Cidadao Instigado, Nana Vasconcelos, Thomas Rohrer and Nacao Zumbi. He's toured Europe (including Sonar festival in Barcelona, Roskilde in Denmark, Womex in Seville & Club Transmediale in Berlin), the U.S., India (World Socials Forum) and of course Brazil. He's released 2 solo records under the name M. Takara for the Brazilian labels Submarine & Slag Records, 4 with his 6 piece group Hurtmold (including a split with Chicago's The Eternals) and recently the first record with the band Sao Paulo Underground (with the artist Rob Mazurek, from Chicago). He's currently working on a 'J.T. Meirelles' remix record (60's Brazilian samba-jazz saxophonist) with the group Instituto.

Extracted from Vizinhos
For more info, visit M. Takara's site

16 abril 2009

Antonio Carlos Jobim - Wave (1967)

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Tom JobimParcialmente criado em Los Angeles, mas gravado na Costa Leste, nos estúdios Rudy Van Gelder (Englewood Cliffs, Nova Jersey), em 11, 23, 24 de maio e 15 de junho de 1967, novamente para Creed Taylor, Wave foi o quarto LP solo americano de Tom e o terceiro com arranjos de Claus Ogerman.

Meio jazzístico no seu improviso, nem por isso deixou de ser um de seus discos mais essencialmente cariocas, na verdade um preito amoroso ao Rio, à sua paisagem, às suas águas e céus azuis, à bonomia dos seus habitantes, ao ensolarado e edênico ambiente onde Tom passou a infância e a adolescência, nadando e pescando entre a Lagoa Rodrigo de Freitas e a praia de Ipanema. Um disco marcado pela intensa saudade que, na América, Tom sentia de sua cidade, dos bares em que conversava fiado com Vinicius e outros parceiros só de papo, pachorra e chope. Até dos primeiros tempos da Bossa Nova ele sentia falta, a tal ponto que numa das faixas, "Blusa vermelha" ("The Red Blouse"), perfeita trilha musical para um travelling à beira-mar, enxerta notas de "Só danço samba", "Fotografia", e cita alguns acordes de "Rio" e "O barquinho", dois clássicos da fase sal-sol-sul da Bossa Nova, assinados pela dupla Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli. Em outra, "Batidinha", homenageou a singular batida de violão de Rosinha de Valença, que aprendera com a própria violonista.

Dando título ao disco, um tema que não sugere ondas e ondulações apenas no título, mas que de outras coisas passaria a tratar quando, com letra em português, ganhou o subtítulo de "Vou te contar", única contribuição de Chico Buarque, que se sentiu inibido para escrever os demais versos que Tom lhe encomendara. Acompanhado por uma orquestra com 13 violinos, quatro cellos, dois trombones, três flautas, uma trompa, um parceiro de Miles Davis no baixo (Ron Carter) e a bateria dividida entre os brasileiros Dom Um Romão e Claudio Sion e o americano Bobby Rosengarden, Tom tocou piano ou violão em nove das dez faixas. Abriu uma exceção em "Antigua", abrasileirada visão de uma ilha do Caribe, quando pela primeira e última vez aventurou-se a dedilhar um cravo.

Em meio a composições então meio esquecidas, como "Olha pro céu" ("Look to the Sky"), que Lana Bittencourt lançara sete anos antes, e um tema de Orfeu da Conceição, "Lamento", repontam mais quatro novidades: "Triste", "Mojave", "Diálogo" e "Capitão Bacardi". Metafórico samba bossa nova sobre o medo de voar, apaixonar-se e vice-versa, "Triste" foi composto, com letra e tudo ("Tua beleza é um avião…"), em apenas uma tarde. "Mojave" é uma saltitante valsa, em compasso 6/8, inspirada pela forte impressão que o homônimo deserto de Nevada deixara em Tom. Executada por duas flautas baixas e com algumas notas roubadas a "Bonita", é uma das raras faixas em que não se ouve um solo do trombonista Urbie Green, que em "Diálogo" deleita-se num dueto com a flauta baixa de Romeo Penque, e em "Capitão Bacardi" ajuda a apimentar, no melhor estilo Raul de Barros, um samba rasgado (com cuíca e tudo), que Tom compôs em homenagem ao cunhado Paulo, primeiro marido de Helena Jobim, mais conhecido como Paulo Bacardi.

Texto extraído do site oficial do Tom Jobim
Para mais informação, visite o site do Clube do Tom

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Tom Jobim : by João LuisWhen Creed Taylor left Verve/MGM for his own label under the auspices of A&M, he quickly signed Antonio Carlos Jobim and they picked up right where they left off with this stunningly seductive record, possibly Jobim's best. Jobim contributes his sparely rhythmic acoustic guitar, simple melodic piano style, a guest turn at the harpsichord, and even a vocal on "Lamento," while Claus Ogerman lends a romantically brooding hand with the charts. A pair of instant standards are introduced ("Wave," "Triste"), but this album is to be cherished for its absolutely first-rate tunes — actually miniature tone poems — that escaped overexposure and thus sound fresh today. The most beautiful sleeper is "Batidinha," where the intuitive Jobim/Ogerman collaboration reaches its peak. One only wishes that this album were longer; 31:45 is not enough.

Richard S. Ginell - extracted from All Music Guide
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14 abril 2009

Baden Powell - Tempo Feliz (1966)

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Maurício EinhornEra uma madrugada morna, dessas típicas de janeiro. Estavam aqui em casa Badeco, Teresinha e um rapaz muito tímido de nome Maurício, com gaitas de todas as espécies, mas também com desculpas de todas as espécies para não usá-las.

O papo transcorria alegre e banhado de música e uísque. Dado momento, a coisa realmente "engrenou". Baden mandou uma brasa firme no violão e Maurício desencabulou inteiramente. Eu pensei: Meu Deus, como gostaria de estar, agora, num estúdio e poder levar toda essa euforia ao público. Imediatamente telefonei a Wadi Gebara (apesar do adiantado da hora) e chamei-o para que participasse de tudo. Mal chegou, Wadi não pôde deixar de se contagiar. Trocamos algumas idéias e concluímos que o disco "A Volta de Baden", que há muito havíamos planejado, estava maduro, deveria entrar em estúdio logo, e pela experiência que havíamos tido, com a participação efetiva de Maurício Einhorn.

Na realidade, este disco tem de ser o grande esperado do público, pois representa o retorno de Baden aos estúdios, desde seu regresso de Paris, há dois anos. Embora ele tenha gravado em "shows" aqui e ali, ou como acompanhante, esse é, realmente, o seu primeiro disco em mais de dois anos, como solista. E por isso mesmo, para demonstrar toda a evolução pela qual passou, perpetuou de uma maneira definitiva temas conhecidos, como no caso de um "Vou por aí" ou "Consolação". Na realidade apenas não denominamos o LP de "A Volta de Baden" para não cair no lugar comum. Pensamos ainda em "Baden encontra Maurício", mas achamos finalmente que o mais plausível seria batizá-lo de "Tempo Feliz", pois esse é o tempo em que as músicas foram levadas e esse foi o nosso estado de espírito desde o momento em que decidimos tudo o que aqui está.

Roberto Quartin, Forma - 1966 - texto extraído da contra-capa do disco

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O gaitista Maurício Einhorn é o convidado de honra e toca em quatro das oito faixas, todas gravadas entre os dias 24 e 25 de janeiro de 1966. O disco é uma grande jam session (confiram a edição revista e ampliada de "Consolação") com exposição dos temas e criação livre de Baden, Edison Lobo (baixo) e Chico Batera. Este, na época, justificando o apelido, mandava na bateria, mas depois especializou-se na percussão. Entram também a produção pós-Paris com Vinicius ("Deixa" e "Tempo feliz"), uma parceria com o produtor Aloysio de Oliveira "Vou por aí", além de "Apelo", a belíssima balada "Chuva" (Durval Ferreira / Pedro Camargo) e a valsa-jazz que trocadilha com o nome do selo, do produtor Roberto Quartin "Pro forma" (Maurício Einhorn / Arnaldo Costa).

Tárik de Souza - 2003 - texto extraído do encarte CD.
Para mais informação, visite o site Brazil on Guitar . Baden Powell

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Baden PowellThis classic 1966 Forma album, reissued on LP by Fontana in 1978 and on CD by PolyGram Brazil in 1990, brought Baden Powell's first recordings for his originals "Vou Por Aí" (with Aloysio de Oliveira), "Apelo," and "Deixa" (both with Vinícius de Moraes; other fruits of the fundamental partnership began in 1962). And there is more: the participation of underrated harmonica player Maurício Einhorn, who adds much to the program from the intro of the opening track, "Vou Por Aí," where unaccompanied guitar and harmonica perform with enchanting polyphony, building independent lines that allow room for the entrance of the rhythm section (no reference given in the album notes, but they are Chico Batera on drums and Edison Lobo on bass), following the exposition of the theme by the harmonica and solos by the two instrumentalists and the bassist. Next comes the classic "Apelo," with two choruses of guitar improv with very discreet references to the jazz idiom, focusing in a Brazilian language instead. The valse "A Chuva" brings with its melancholic overtones a very lyrical solo guitar rendition in the intro; soon it's joined by the harmonica solo and rhythm section. Samba bossa nova is the vehicle for swinging improvisation in "Deixa" and the long-winded "Consolação." Equally animated in the same style is "Sem Saber" (Otto Gonçalves Filho), while "Pro Forma" (Maurício Einhorn/Arnaldo Costa) brings for its 6/8 setting an Iberian atmosphere. The acalanto "Tempo Feliz" (Powell/Vinícius de Moraes), in its second recording by Powell (the first had been in the same year's live Baden Powell ao Vivo no Teatro Santa Rosa), closes the album with delicacy, with Powell alone at the guitar.

Alvaro Neder - extracted from All Music Guide

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There is the anecdote that Baden Powell was very drunk during the Tempo feliz sessions. It seems believable, because the film shots of Round Midnight prove to which precise playing and musicality he was capable of in such condition. It is said that the rather shy Baden Powell could only be more extrovert by drinking alcohol. This is very regrettable and he payed a high price, recording such an expressive, relaxed album like Tempo Feliz.

This can be seen in his commands, his rhythmic finger clicking and humming along to his musical ideas, which reminds of Keith Jarrett and was rather rare for Baden Powell. It is impressive with which tone, coordination and endurance he played in this jam session.

It is the only recording he did with the Brazilian harmonica player Mauricio Einhorn. Even though they play completely different instruments there were no boundaries between Mauricio and Baden, they were listening and responding to each other. It may seem unfortunate that this was their only recording but nothing remained unsaid. The record's grooves preserve their musical ideas and contain material for the following generations of guitarists and harmonica players. Tempo Feliz is one of the best records, that Baden Powell did in the sixties.

Waldir Azevedo - Waldir Azevedo (1977)

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Waldir AzevedoAntes que pudesse ficar prejudicado com o excesso de reedições de trabalhos feitos há muitos anos, representativos de outra fase de sua vida artística, com Waldir Azevedo, um dos grandes executantes da cavaquinho no Brasil, que permaneceu quase uma década afastada da vida artística (6 anos em Brasília, onde sofreu acidente num dos dedos), Waldir retornou à vida artística no ano passado e neste período já fez várias gravações. Mas agora, tem, finalmente, um elepê à altura de seu imenso talento (Continental, novembro/77).

Como contamos nesta página, há algumas semanas, Waldir gravou "magoado", um choro do violonista Dilermando Reis, que o desafiou originalmente pra violão. Pena que Dilermando não esteja vivo para ouvir a gravação. Temos certeza que se emocionaria. "Flor do Cerrado", incluído no disco, é a mais recente composição de Waldir: foi feita no dia 20/9/77, no avião que levava Waldir de Brasília a São Paulo. Em "Cavaquinho Seresteiro", o solo de violão é feito por Hamilton Costa, parceiro de Waldir em "Contraste" e autor do bonito choro "Pra Esquecer", também incluído neste disco.

As outras faixas são de músicas conhecidas - mas grandemente valorizadas pela sensibilidade de Waldir: "É do Que Há" (Luiz Americano), "Chão de Estrelas" (Orestes Barbosa / Silvio Caldas), "Vassourinhas" (Mathias da Rocha / Joana Ramos), "Choro Negro" (Paulinho da Viola / Fernando Costa). "Brejeiro" (Ernesto Nazareth), "Flor do Acabate" (Álvaro Sandim) e "São Paulo Quatrocentão" (Garoto / Chiquinho).

Aramis Millarch - 04/12/1977 - publicado no jornal Estado do Paraná - extraído do site Tablóide Digital

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Waldir AzevedoWaldir Azevedo was the most successful composer and musician of the genre choro, and maybe of all Brazilian music, in relative terms. A pioneer in the exploration of the instrument cavaquinho, his themes, simple and communicative, always succeeded in capturing the attention of listeners. Azevedo recorded 132 compositions in diverse genres, 50 78s, and 20 LP's (including one shared with his rival Jacob do Bandolim). His songs were also recorded in Japan, Germany, and the U.S.A., where the Percy Faith Orchestra's recording of "Delicado" sold over a million copies.

Azevedo's first instrument was the flute, at age seven. Soon he also learned mandolin and then cavaquinho. Learning the six and seven-string violões (acoustic guitars), he performed in public for the first time on the flute, in 1933. His wish was to become an aviator, but his cardiac condition impeded it. Singing and playing the tenor violão he joined the group Águias de Prata, which performed at the Copacabana Palace and recorded an album for Victor. Meanwhile, he was employed at Light Company.

As Dilermando Reis needed a cavaquinho player for his regional, Azevedo was auditioned at Rádio Clube right in the middle of his honeymoon and got the job, holding the position for two years. In 1947, Reis departed for his solo career and Azevedo took the leadership of the regional. He accompanied hundreds of artists, from novice to star, and began to draw the attention of the listeners towards his own compositions. As the recording company Continental was in the same building, he was invited to record his piece "Brasileirinho," after several radio performances. The invitation coincided with the departure of Jacob do Bandolim, his biggest rival, from Continental to RCA Victor. "Brasileirinho," released in December, was a huge success from the start.

The '50s also were productive for Azevedo, who recorded other big hits like the baião "Delicado," the choro "Pedacinhos do Céu," "Chiquita," and "Vê se Gostas," among others. Azevedo toured South America and Europe for 11 years, including two tours sponsored by the Brazilian diplomatic service Itamarati, the Caravanas da Música Brasileira. In London, England, he appeared in a BBC show broadcast to 52 countries.

In 1964, a car accident killed his daughter, which pushed him into a dark period of depression. In 1967 he learned to read and write music. In 1971, living in Brasília DF, he suffered an accident in which he almost lost his third finger and had to abandon music for one and a half years. After several surgeries, he returned to live performance in 1974, at the Clube do Choro of Brasília. Enjoying the choro revival of the '70s, Azevedo soon began to record again and to perform in TV shows, such as Sabor Bem Brasil, Seis e Meia, Pixinguinha, Choro na Praça, and others.

In November 1989, 30 years of success of "Brasileirinho" was remembered in a tribute show at São Paulo's Teatro Municipal. Along with Azevedo played Paulinho da Viola, Ademilde Fonseca, Paulo Moura, and others.

Alvaro Neder - extracted from All Music Guide
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